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Crise nos EUA pode reduzir recursos para emergentes

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SÃO PAULO, 7 de agosto de 2007 - O crescimento moderado da economia norte-americana e a crise no mercado imobiliário nos Estados Unidos pode ter impacto na economia global, com uma recessão no mercado de crédito e no volume de liquidez, com reflexos direto no nível de investimento no mercado mundial. A avaliação é de Nouriel Roubini, um dos fundadores do Fórum de Davos, atual consultor para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que atuou como economista-chefe do governo Bill Clinton.

De acordo com Roubini, a principal preocupação com relação a crise no setor imobiliário é seu impacto sobre uma recessão no mercado de crédito. Ele ressalta que o aumento da aversão ao risco tem elevado os spreads dos empréstimos, com impacto direto no financiamento das empreas e no mercado financeiro, com a elavação dos spreads dos títulos e bonds emitidos no mercado internacional. 'A recente turbulência do mercado de crédito agora está se estendendo para o mercado de capitais. A crise deve se manter enquanto persistir os problemas no mercado imobiliário', afirma.

Roubini destaca que a recessão no mercado de hipotecas nos Estados Unidos representa o pior desempenho da década com a queda do preço dos imóveis e redução dos investimentos em novas construções.

Por outro lado, o aumento da volatilidade no mercado de capitais aumenta a aversão ao risco o pode reduzir os investimentos no países emergentes, com a elevação do risco de uma fuga de capitais. 'Uma recessão no mercado de crédito pode se transferir para os hedge funds e restringir os investimentos em mercados emergentes', afirma.

Além disso, há o risco de economia mundial não absorver os choques da desaceleração nos Estados Unidos, maior mercado consumidor mundial, o que poderia afetar o desempenho da economia chinesa com a queda das exportações do país e, consequente, impacto sobre o preço das commodities no mercado mundial, que tem sustentado uma valorização por muitos anos. "Um impacto no mercado de commodities certamente teria grande reflexo sobre os países emrgentes, sobretudo num cenário da desvalorização do dólar, que reduz a competividade de alguns países', diz.

No entanto, Roubini ressalta que o crescimento dos mercados emergentes, a recuperação da economia da Europa e do Japão estão sustentando o crescimento da economia mundial. 'O atual desaquecimento da economia norte-americana não deve trazer sérios impactos. Os países membros do BRIC, especialmente a China, têm apresentado uma rápida expansão da economia sustentando a demanda global'. Além disso, os mercados hoje estão menos vulneráveis a choques externos, com a redução do déficit fiscal, aumento do volume de reservas e estabilidade das políticas macroeconômicas. 'A economia brasileira, por exmplo, vem aumentando seu nível de resevas e está muito mais forte a choques externos', destaca.

(Silvia Regina Rosa - InvestNews)