A presidente da rede Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, foi enfática ao afirmar que a reforma tributária é o principal entrave para o crescimento do País. "Não queremos saber quem fez mais. Queremos ver atitude de vocês", disse ela, em relação as disputas entre governistas e oposição que não raro emperram as votações no Congresso e no Senado.
Gerdau culpou a Guerra fiscal pelo atraso na conclusão da reforma tributária e também tratou a reforma trabalhista como prioridade. "No Canadá, por exemplo, eu tenho um funcionário para cuidar dos contratos de trabalho, enquanto no Brasil eu tenho centenas", exemplificou o executivo.
Apesar do consenso e da pressão dos empresários, os parlamentares não animaram os que foram ao encontro. "Sinto muito, mas são muito pequenas as chances de aprovarmos alguma reforma ainda este ano", disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).
O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) afirmou que apesar da boa vontade do governo, alguns empresários e governadores trabalham contra a aprovação da reforma tributária. "Eles não querem perder benefícios fiscais que a reforma implodiria", disse.
Pressionado pelos empresários a citar nomes dos governadores contrários a proposta, Mercandante disse que os governantes do Nordeste, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro não querem que os tributos sejam aplicados no destino e não na origem, ponto crucial da reforma tributária. "Será muito difícil fazer com que esses estados aceitem perder benefícios", afirmou. Gerdau afirmou que a guerra fiscal precisa acabar para o País apresentar maiores índices de crescimento. "O corporativismo das estruturas é mais poderoso que os governadores", disse.
Virgílio assumiu que a reforma tributária desapareceu das prioridades tanto do Senado quanto do Congresso. "Atualmente a grande prioridade do governo é prorrogar a DRU e a CPMF", disse o senador José Agripino Maia (DEM-RN).
No final do encontro, o senador Arthur Virgílio assumiu compromisso diante dos empresários que se o governo se mobilizar, o PSDB se compromete em votar a reforma tributária ainda este ano.
(Wilson Gotardello Filho - InvestNews)