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Controladores de vôo realizam operação-padrão

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BRASÍLIA, 21 de junho de 2007 - Revoltados com a demora do governo em reajustar os salários da categoria, a falta de interlocução com o governo e as falhas dos equipamentos, os controladores voltaram ontem a realizar uma operação-padrão. Até as 18h30, a ação havia causado atrasos em 38,1% dos 1.475 vôos previstos. Nos bastidores, integrantes do governo reclamavam da má-vontade dos controladores. A cúpula da Aeronáutica ampliou as investigações para descobrir se houve má fé dos profissionais de segurança de vôo. E alardeou que está disposta a punir líderes e responsáveis pela ação.

Ao tentar justificar a crise, o ministro da Fazenda deu um tiro no próprio pé. Disse que o sucesso do governo em fazer a economia do país crescer causa o gargalo logístico.

"Não há caos aéreo. Os problemas ocorrem pelo aumento do fluxo. É a prosperidade do país: mais gente viajando, mais aviões e mais rotas", declarou Mantega.

Apesar do ultimato dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março, quando cobrou de sua equipe dia e hora para anunciar o fim do caos nos aeroportos, nada foi feito desde o fim do ano passado. Segundo o presidente da Associação dos Controladores de Tráfego Aéreo do Estado do Rio de Janeiro (ACTARJ), Jorge Nunes Oliveira, o governo não cumpriu o que prometeu para a categoria. Para evitar que a culpa de mais um acidente recaia sobre suas cabeças, disse, os controladores passaram a cumprir todas as normas de segurança dos manuais do setor. Antes, deixavam de seguir todos os prosseguimentos para que os vôos não atrasassem.

"O sistema está deteriorado. A tendência é os equipamentos degringolarem. O pessoal está se sentindo abandonado."

O último contato entre controladores e autoridades do Executivo, disse, foi a negociação feita com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em março. O ministro foi escalado pelo presidente Lula para acabar com a greve que fechou todos os aeroportos do país. Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Waldir Pires, voltou a dizer que o governo anunciará uma gratificação aos trabalhadores do setor.

O clima dentro dos centros de controle de vôo (Cindactas) é péssimo, confirmou Nunes Oliveira. Não há diálogo entre chefes e controladores de vôo. E tal relação pode piorar, pois o presidente Lula voltou a dizer ontem para assessores que a cúpula da Aeronáutica tem o dever de acabar com a crise. Desmentiu também os boatos de que demitiria o presidente da Infraero, tenente-brigadeiro José Carlos Pereira.

"Desde a reunião com o ministro Paulo Bernardo, só veio decepção. Estão empurrando com a barriga. Não tem canal de negociação", declarou o presidente da (ACTARJ). "Imploramos por um canal de diálogo e, até agora, só houve autoritarismo. Só querem punir o pessoal, o que deixa o pessoal apreensivo."

A ausência de assistência da Aeronáutica aos quatro controladores que monitoravam o Boeing da Gol e o Legacy que se chocaram em setembro é outro motivo de insatisfação. O acidente foi a maior tragédia da história da aviação brasileira. Matou 154 pessoas. Sem dinheiro para pagar advogados, os controladores contam com o apoio financeiro das associações de trabalhadores da categoria para se defenderem na Justiça. Foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso e estão na mira das CPIs instaladas no Congresso.

A crise é democrática. Também expõe autoridades ao calvário nos aeroportos. Ontem, por exemplo, os governadores Aécio Neves (Minas Gerais) e Sérgio Cabral (Rio) se atrasaram para chegar a Brasília, onde se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O vôo que levou a seleção brasileira de futebol para disputar a Copa América na Venezuela também demorou mais do que o previsto.

Preso no aeroporto de Porto Alegre, o embaixador da Comissão Européia no Brasil, João Pacheco, lamentou ter de esperar a liberação de seu vôo.

"Espero que hoje eu espere menos. Ontem, foram quase sete horas", disse o diplomata.

(Fernando Exman - InvestNews)