Agência EFE
MADRI - O Banco Santander anunciou nesta terça-feira seus planos para vender participações não estratégicas e assim financiar a sua fatia de ¬ 19,9 bilhões (US$ 26,666 bilhões) na possível aquisição do grupo holandês ABN Amro, que poderá levar à formação do segundo maior banco do Brasil.
O Banco Santander apresentou uma oferta conjunta com o Royal Bank of Scotland e o Fortis. O consórcio ofereceu pelo ABN Amro ¬ 71,1 bilhões (US$ 95,274 bilhões).
Se for concretizada a operação, o Santander vai assumir o controle da unidade de negócios do grupo holandês na América Latina, com exceção da área corporativa fora do Brasil. O principal ativo na fatia espanhola é o Banco Real.
A aquisição do Banco Real permitirá ao Santander criar o segundo maior banco do Brasil em depósitos, o terceiro em escritórios e créditos, e o quarto em receita, controlando 12% do mercado brasileiro (16% no sul e sudeste).
A entidade prevê com esta aquisição uma sinergia no valor de ¬ 810 milhões (US$ 1,085 bilhão), graças a um plano de negócios que contempla melhores práticas em eficiência, integração tecnológica, de operações e serviços centrais, e fusão completa de redes.
A integração de Banespa e Banco Real deverá levar três anos. Nas fases iniciais, as duas estruturas comerciais serão mantidas separadas, cada uma com sua própria marca. Mas, no futuro, é previsível que as duas redes operem sob a marca Santander.
Em princípio, não está previsto um 'número significativo' de demissões. As possíveis reduções 'se realizarão, na medida do possível, mediante pré-aposentadorias e baixas voluntárias', afirma o grupo. A outra parte do corte de custos será resultado da terceirização de serviços.
Para reunir o capital necessário à operação, o grupo espanhol calcula que a venda de participações não estratégicas permitirá somar ¬ 10 bilhões (US$ 13,4 bilhões). Além disso, o grupo espanhol pretende financiar a aquisição com a emissão de conversíveis e uma ampliação de capital, obtendo assim os ¬ 9,9 bilhões (US$ 13,266 bilhões) restantes.
O grupo ficará ainda com os Bancos Antonveneta, na Itália, e com o Interbank, entidade de financiamento ao consumo na Holanda.
O executivo-chefe do Santander, Alfredo Sáenz, explicou que o grupo deverá se desfazer de participações na companhia petrolífera Cepsa e no banco italiano San Paolo, assim como de alguns ativos imobiliários.