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Especialistas avaliam decisão da Petrobras de importar gás líquido

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Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Importar gás natural liqüefeito (GNL) para suprir usinas termelétricas, como a Petrobras decidiu fazer, é a decisão mais acertada no curto prazo, avalia Luiz Pinguelli Rosa, coordenador de Planejamento Energético da Unidade de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

- É uma alternativa mais cara, mas que se adapta bem à sua finalidade, de atender a uma demanda interruptível por gás natural por parte das usinas térmicas - afirma o coordenador, que faz uma ressalva: O mercado brasileiro, do ponto de vista imediato, está suprido. Há gás suficiente para a demanda atual. As dificuldades existentes dizem respeito apenas ao atendimento das térmicas. E isto se deu por falta de planejamento adequado por parte do governo".

Pinguelli Rosa, que presidiu a Eletrobrás nos primeiros anos do governo Lula, disse não acreditar na viabilidade da utilização de combustíveis alternativos, como o próprio etanol, para suprir emergencialmente as usinas térmicas existentes no país.

- É uma solução caríssima porque exige investimentos tecnológicos para adaptar estas unidades para operar com tipos diferentes de combustível.

Na avaliação dele, o país pode enfrentar problemas de falta de energia no final de 2009 e em 2010, caso a economia do país cresça no ritmo projetado pelo governo, em torno de 5% ao ano. "A situação das hídricas já não é tão boa quanto era no final do ano passado".

Pinguelli avalia que as novas usinas nos planos do governo, sejam hidrelétricas ou nucleares, não serão construídas a tempo. "Serão soluções para além de 2012 . Se houver problemas num prazo de dois a três anos , como ele estima, o GNL será importante para tapar esse buraco e aliviar o problema".

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, também considera o GNL uma das saídas para o atendimento às usinas térmicas, mas defende também a utilização de outras fontes de suprimento de energia elétrica, como, por exemplo, a atômica.

- A crise na verdade não é do gás, ela é da energia elétrica. Se não houver problemas de abastecimento elétrico, há gás. Por conta da energia elétrica, o governo federal tem colocado a necessidade de um plano de contingência, o que achamos absolutamente correto, desde que respeitadas as peculiaridades de cada estado e o consumidor - afirma, enfático.

Ex-presidente da Petrobras Distribuidora, Bueno lembra que foi a própria estatal que incentivou a "massificação" do uso do gás natural no mercado nacional, para fazer frente ao contrato existente com a Bolívia, que a obrigava a importar mais gás do que o Brasil precisava.