Agência Brasil
SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal (CEF) inverteu a pirâmide de clientes atendidos no financiamento para a aquisição da casa própria e passou a conceder volume maior de crédito às famílias com renda de até cinco salários mínimos ou com ganhos mensais em torno de R$ 1.900.
- É nessa faixa que concentra o alto déficit habitacional do país - observa a superintendente regional da instituição, em São Paulo, Celi Mantovani.
Segundo Celi, até 2002 apenas 25% do orçamento destinado ao financiamento eram usados por essa faixa de renda. Esse percentual pulou para 75%.
- Hoje, a Caixa consegue viabilizar o acesso ao crédito para todas as faixas de renda, mas têm registrado um atendimento expressivo para as famílias que ganham até cinco salários mínimos e que representam 93% do universo do déficit habitacional.
Celi Mantovani participou da abertura do 3º Feirão Caixa da Casa Própria, que durará quatro dias, no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo. Até domingo (27) estão sendo ofertados 60 mil imóveis entre casas, apartamentos e terrenos localizados na cidade de São Paulo e Baixada Santista. A expectativa é receber 150 mil pessoas.
Duas horas depois de iniciadas as vendas, cerca de 12 mil pessoas já tinham passado pelo local, um espaço de 16 mil metros quadrados, onde estão espalhados 80 estandes com 300 corretores de imóveis. Comparando-se com as edições anteriores, na avaliação da superintendente da CEF esse público "superou as expectativas". Ela informou que
normalmente a maioria das pessoas visita a feira nos dois últimos dias.
O evento reúne em um mesmo espaço todos os serviços que visam facilitar o fechamento das operações como bancos e cartórios. Entre as novidades, Celi cita adoção de um sistema digital de comunicação com cartórios de outras praças.
Na sua avaliação, muitas pessoas ainda temem entrar no negócio da compra de imóveis, e diante disso considera que o feirão tem a importância de ajudar a orientar o interessado sobre o quanto ele pode comprometer a renda e em qual programa poderia se inserir . Entre as opções tem o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), linha para a renda de até seis salários mínimos.
Dos 60 mil imóveis colocados à disposição do público (24 mil novos e 36 mil usados), 2 mil referem-se a unidades retomadas pela CEF. Entre os imóveis usados, os preços variam entre R$ 30 mil a R$ 35 mil. No caso de terrenos, há opção a partir de R$ 8 mil.
Até o último dia 16 de maio, segundo Celi, a CEF aplicou R$ 5,3 bilhões nos programas habitacionais. Esse volume é 20% maior do que a quantia registrada em igual período do ano passado. Só para São Paulo, deverão ser destinados, este ano, R$ 4 bilhões do total do orçamento da instituição para todo o país que alcança R$ 12 bilhões.