Para Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO corretora, as intervenções menos agressivas do BC, tanto no mercado à vista quanto via leilões de swap cambial reverso, há cerca de dez dias, permitindo que o dólar se acomodasse abaixo dos R$ 2,00, reforçou a visão de que a autoridade monetária deve ampliar a velocidade de corte nos juros.
"Embora os participantes do mercado propaguem o consenso de que a taxa deve cair 0,5 ponto em junho, agem como se acreditassem que o BC deve surpreender e reduzir o juro primário de forma mais intensiva, ou mesmo deixe sugestiva uma redução maior no próximo encontro", avalia.
Segundo Nehme, há espaço para cortes nos juros mais substanciais e isso é necessário para desestimular os movimentos de arbitragens que afeta artificialmente o câmbio. "A taxa é muito alta e contrasta com a situação do País", disse, ressaltando que o Brasil é um dos mercados emergente mais bem qualificado, praticando juros de países subdesenvolvidos. "O juros é incompatível com o risco", frisou, lembrando que desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril, duas agências de risco elevaram o rating do País que agora está a um passo do grau de investimento. Para o executivo, a Selic deveria cair entre 0,75 e 1 ponto na próxima reunião.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)