O deputado Silvio Costa começou a bater boca com os deputados que davam a entrevista. Ao deputado Chico Alencar (RJ), líder do P-Sol, ele disse "vocês me respeitam, eu não sou palhaço. Vocês estão fazendo teatro para a imprensa e querendo pousar de éticos". E acrescentou: "Esse grupo de parlamentares não pode querer pousar de paladinos da ética e os demais não são éticos?. É preciso acabar com esse dualismo na Casa entre éticos e não éticos. Tem que acabar com essa palhaçada de alguns poucos querer tripudiar em cima da imagem da Casa". O deputado Chico Alencar tentou contra argumentar, mas o pernambuco não quis ouvir as explicações".
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos primeiros a ser enfrentado por Silvio Costa disse o parlamentar não tinha entendido que a entrevista era do grupo de parlamentares que vem trabalhando com a questão da ética no Parlamento há muito tempo e que esse grupo tinha o objetivo de mostrar que essa CPMI "é apenas um instrumento para a moralidade do Legislativo". "A crise que nós estamos envolvidos pede muito mais do que uma CPI. Ela pede uma maneira diferente de avaliar o orçamento, de fazer política, do financiamento de campanhas. Porque o sistempolítico hoje parte do nada e não vai para lugar nenhum. Ele está falido e queremos recuperá-lo".
O deputado Silvio Costa, muito irritado, anunciou que estava retirando sua assinatura do requerimento de criação da CPI, embora ele tenha sido um dos primeiros a subscrevê-lo. "Vou também pedir aos deputados da base aliada do governo que retirem suas assinaturas. Não podemos aceitar essa palhaçada". Ele informou que não recebeu nenhuma pressão e nenhum pedido do governo para retirar sua assinatura. Estou retirando minha assinatura por conta do teatro desse grupo que se julga mais ético do que os outros parlamentares".
A deputada Luciana Genro (P-Sol-RS), uma das agredidas verbalmente por Silvio Costa, acusou o deputado de negociar a retirada da assinatura com o governo. "O deputado assinou o requerimento para depois negociar com o governo a retirada da assinatura", disse. A deputada disse que essa CPI é importante para dar visibilidade ao problema das fraudes e também para que a população se mobilize para pressionar a CPI e o Congresso para tomarem medidas não paleativas para resolver o problema, mas medidas que "tocam no problema estrutura da política brasileira". "Necessitamos de uma verdadeira refundação da República Brasileira. A democracia está sendo fraudada pela corrupção e pela propina", acusou.
Ao tomar conhecimento da declaração da deputada Luciana Genro, Silvio Costa reagiu e prometeu que se a deputada tiver acusado ele de negociar com o governo a retirada de sua assinatura que ele vai processá-la no Conselho de Ética da Câmara. "Se a deputada disse isso ela está sendo leviana. Eu vou levá-la ao Conselho de Ética e ela vai ser cassada. Não existe homem nesse Pais com moral para me pressionar. Não recebi nenhum telefonema para retirada de assinatura. Eu voto no governo Lula por convicção".
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos autores do requerimento para criação da CPI, lamentou que o deputado tenha anunciado que vai retirar sua assinatura. Ele admitiu que é legitima a pressão para as retiradas de assinaturas, da mesma forma que existe um trabalho para a coleta de mais assinaturas. "Estamos numa fase crescente de coleta de assinaturas. Atitudes como essa do deputado pode levar a algumas resistências, mas tem vários deputados que não vieram à Brasília nesta semana e já disseram que vão assinar o requerimento na próxima semana".
O tumulto e o bate-boca entre o deputado Silvio Costa e outros deputados Fernando Gabeira, Luciana Genro, Raul Jungamann (PPS-PE), Ivan Valente (P-Sol-SP), Chico Alencar e Luiza Erundina (PSB-SP) só terminou depois que os seguranças da Câmara intercederam para evitar que o clima ficasse pior.
As informações são da Agência Brasil.
(Redação - InvestNews)