Durante do dia, o dólar chegou a se estabilizar e a cair 0,15%, influenciado pelo viés positivo dos principais índices acionários, mas, sem ânimo, não sustentou o movimento. Em Nova York, notícias de fusões e aquisições alimentaram a ponta de compra na maior parte do dia. Há pouco, o Nasdaq cedia 0,10% e Dow Jones tinha leve alta de 0,08%.
"Mas o momento continua favorável ao País e o real deve testar novos pisos", destacou um analista, ressaltando que as cotações devem oscilar entre R$ 1,93 e R$ 1,95 no curto prazo. Uma das boas notícias continua sendo o desempenho do risco. A taxa, medida pelo JP Morgan, renova a mínima a cada sessão e hoje chegou a cair ao piso de 135 pontos. Só neste ano, a queda acumulada pelo indicador supera os 27%.
Nos últimos 15 dias, duas agências de classificação de risco - a Fitch e a Standard & Poor's - elevaram a nota brasileira para BB+, a apenas um nível do grau de investimento. A expectativa agora é de que a Moody's, outra agência de rating, conceda um "upgrade" ao País.
José Roberto Carrera, gerente da corretora Novação, reforça o momento favorável que o Brasil atravessa, por conta dos juros altos, mas em especial, pelos recordes sucessivos das bolsas de valores. "Os ingressos seguem forte e não adiantam apenas reduzir os juros para tentar conter o fluxo", frisou, lembrando que as empresas brasileiras pagam os maiores dividendos do mundo."É preciso restringir o capital especulativo", concluiu.
Pela quinta vez seguida, a autoridade monetária não atuou no mercado futuro. Comprou apenas no mercado à vista, pagando taxa média de R$ 1,954.
Aliais, os leilões com swap cambial reverso, uma das estratégias do governo para tentar conter a velocidade de queda do dólar, já pode ser sentida nas contas do Tesouro Nacional. Em abril, a dívida pública indexada à Selic chegou a R$ 1,286 trilhão, volume R$ 7,7 bilhões superior ao registrado um mês antes. A proporção de títulos públicos em circulação corrigido pela Selic subiu de 38,8%, em março, para 39,6% em abril - e parte deste aumento é reflexo dos leilões com swap. Isto porque, neste tipo de operação, o governo recebe a variação cambial e paga taxa de juros. Em abril, o BC emitiu cerca de US$ 4 bilhões em swap reverso.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)