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Envolvimento de Rondeau pode atrasar projetos

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RIO, 21 de maio de 2007 - A ameaça de afastamento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, citado como um dos envolvidos no desvio de recursos públicos federais, por meio de fraudes em licitações, denominado Operação Navalha, acontece justamente num dos momentos mais decisivos para o setor e pode resultar em atrasos no andamento de projetos. O governo ensaia a retomada de Angra III e de outras usinas nucleares, além da intensificação de energia térmica como alternativa à hidrelétricas que não saem do papel, conforme noticiado por este jornal no início do mês. Há também uma pendência com empresas do setor de petróleo e gás, que aguardam nova licitação de blocos exploratórios para definir planos de investimentos.

Os projetos novos e a Nona Rodada de Licitação de Áreas de Petróleo para este ano ainda seriam defendidos sob a liderança do ministro nas próximas semanas, na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O MME descartou, ontem à tarde, que o ministro se afastará do cargo por iniciativa própria. O destino de Rondeau, de acordo com a assessoria de imprensa, será decidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião do CNPE será conduzida mesmo sem Rondeau, segundo com o ministério. Para analistas, contudo, a possível ausência do ministro pode enfraquecer a aprovação das propostas, sobretudo no que diz respeito à polêmica energia atômica.

Na ausência ou mesmo enfraquecimento de Rondeau, a discussão sobre fontes ideais de energia voltará a opor as ministras Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Marina Silva, do Meio Ambiente. Dilma defende projetos que não ganharam simpatia de Marina Silva, como Angra III e as usinas de Rio Madeira, que ainda não conseguiram licença ambiental. A palavra final caberá ao presidente Lula, que deverá comparecer à reunião, segundo fontes.

A questão precisa ser definida em breve porque já em 2012 o País precisará de mais 800 MegaWatts de energia. Pelo menos cinco anos são necessários para erguer uma hidrelétrica.

A dificuldade de licenciamente do Ibama levou o ministro, no começo deste mês, a defender um plano B para Rio Madeira. Rondeau disse que as térmicas a gás são mais caras e poluem mais que as hidrelétricas, mas terão de "entrar na fila" do próximo leilão de energia se as hidrelétricas não forem aprovadas até o final do mês pelo Ibama. O Meio Ambiente, por sua vez, argumenta que o impacto das usinas na região é grande.

Na mesma reunião do CNPE, o governo planeja aprovar o leilão Agência Nacional do Petróleo (ANP). Petroleiras aguardam o edital para saber se as áreas escolhidas pelo Ministério têm a mesma atratividade que as ofertadas nas rodadas anteriores. A dúvida dos investidores é se o governo está realmente interessado em leiloar novas áreas em 2007. "Estamos preocupados com o prazo porque levamos cerca de cinco a seis meses para preparar a licitação cumprindo o cronograma", afirmou o diretor da ANP Nelson Narciso, em entrevista a este jornal.

Outra questão que aflige executivos do setor é a indefinição sobre os contratos da Oitava Rodada, que ficaram em banho-maria em razão da decisão judicial que suspendeu o leilão.

Outra sugestão do MME a ser apresentada no próximo CNPE é aumentar a participação da energia atômica no abastecimento dos atuais 2,3% para 9,3% em 2030, ano limite das políticas de longo prazo do setor. A proposta consta do Plano Decenal de Atendimento de Energia e consiste na construção de quatro a oito usinas nucleares com capacidade de geração de um mil MW cada uma.

(Sabrina Lorenzi - InvestNews)