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ROMA - O banco italiano UniCredit está pronto para adquirir neste domingo seu rival de menor porte Capitalia por mais de 29 bilhões de dólares. Os conselhos dos dois bancos vão se reunir para aprovar o acordo que criará o segundo maior banco da Europa.
No início das deliberações sobre a proposta, toda em ações, o principal grupo de investidores do Capitalia --que controla cerca de 31 por cento da instituição-- votou por unanimidade em favor do apoio à proposta de aquisição.
O presidente-executivo do Capitalia, Matteo Arpe, que liderou uma reviravolta no banco mas travou uma batalha com o influente chairman da instituição sobre estratégia, deve renunciar ao cargo ainda neste domingo, informou uma fonte próxima das negociações.
O UniCredit dará 1,12 ação de sua propriedade para cada papel do Capitalia, de acordo com documento que a Reuters teve acesso, onde são descritos os termos do acordo.
A proposta coloca o valor do banco de Roma em 8,41 euros por ação --21,83 bilhões de euros (29,47 bilhões de dólares) no total--, com base no valor das ações do UniCredit de 7,51 euros antes da suspensão das negociações dos papéis na sexta-feira.
O acordo deve gerar economias de 1,16 bilhão de euros num período de três anos e quatro membros dos conselhos de cada banco vão trocar de lugar durante um período de transição.
O maior acionista do Capitalia, o banco ABN Amro, não será representado no conselho do UniCredit, segundo o acordo.
O Capitalia anunciou uma coletiva de imprensa para a noite deste domingo.
A aquisição permite ao UniCredit expandir a presença em seu território, ao mesmo tempo em que oferece ao Capitalia a chance para crescer além do centro e do sul italianos.
O valor de mercado dos dois bancos juntos é de mais de 100 bilhões de euros e a fusão resultará numa rede bancária que cobrirá desde as cidades da ilha da Sicília até a Europa central e ocidental.
O novo banco também controlará empresas influentes em duas frentes da economia italiana: o banco Mediobanca e a seguradora Generali .
Além disso, a nova instituição deterá 16 por cento do mercado na Itália, quase atingindo o mesmo patamar do banco Intesa Sanpaolo, que permanecerá sendo o maior banco italiano em termos de varejo e fatia de mercado, porém menor do que o UniCredit-Capitalia em termos de valor de mercado.
O novo grupo deve operar na Itália com as marcas UniCredit, Banca di Roma e Banco di Sicilia.
A potencial aquisição já recebeu a benção de Roma. O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, e o ministro da Economia, Tommaso Padoa-Schioppa, apoiam a operação.
O acordo encerrará anos de especulação a respeito do futuro do Capitalia, visto pelos analistas como muito pequeno para sobreviver por conta própria diante da consolidação do setor bancário.
Visto como uma das poucas portas de acesso ao lucrativo mercado bancário italiano, o Capitalia era cobiçado por muitos bancos estrangeiros, inclusive o ABN Amro. No entanto, analistas disseram que a possível compra do banco holandês pelo Barclays ou por um consórcio rival liderado pelo Royal Bank of Scotland deu ao UniCredit a chance de adquirir o banco romano um ano e meio após ter comprado o alemão HVB, por 21 bilhões de dólares.