Segundo o diretor da Engenheiros Financeiros & Consultores, Carlos Coradi, são os juros futuros que balizam o preço do dinheiro nos empréstimos prefixados. Embora a expectativa futura seja de mais queda na Selic, sozinho, este movimento não é suficiente para reduzir a taxa para o consumidor final. Além disso, o bancos acrescentam ainda na operação o spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e o preço dos juros para o consumidor final). "Os bancos não estão interessados em diminuir o spread", friza o executivo. "É por isso que as instituições financeiras geram lucros cada vez maiores", completa.
De acordo com Coradi, para as taxas de crédito serem reduzidas o governo tem que diminuir os impostos e os depósitos compulsórios, que são itens com maior peso sobre o custo do dinheiro.
O executivo ressalta ainda que as instituições financeiras exigem cada vez mais garantias, principalmente nos empréstimos para as micro e pequenas empresas. Como o risco de crédito delas é maior, são justamente as pequenas que mais sofrem. Já nos empréstimos a grandes empresas, que são os de maior peso para os bancos devido aos altos volumes, os juros são muito mais baixos. Uma das modalidades de crédito mais utilizadas pelas empresas é o desconto de duplicata, onde a taxa varia entre 2,5% e 4% ao mês. A linha de hot money também é bastante procurada e a taxa oscila de 1,5% a 6% ao mês.
(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)