Depois de maciças compras feitas no mês até a última sexta-feira, cerca de US$ 7,09 bilhões, nesta semana, o BC atuou com timidez, recolhendo aproximadamente US$ 1,1 bilhão entre segunda e ontem, o que fez o dólar acumular 1,9% de perda frente ao real.
Os sinais de que a autoridade monetária está desistindo de tentar segurar a velocidade de queda do dólar, através dos leilões no mercado à vista e com swap cambial reverso, vêm reforçando a visão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve acelerar o ritmo de corte dos juros. Por isso, o mercado já se prepara para uma queda de 0,5 ponto na reunião de 6 de junho. As curvas dos contratos de DI ilustram esta expectativa, pois a cada dia o prêmio recua um pouco. Há instante, o Janeiro 2008 cedia de 11,43% do ajuste para 11,38%.
Os bons fundamentos estruturais do País, agora a um degrau do tão sonhado grau de investimento associado a uma taxa de juros reais maior do mundo coloca o Brasil na rota dos grandes investidores, inundando a economia de dólares. Vale mencionar que o fluxo cambial e os sucessivos recordes da balança comercial também dão suas importantes contribuições. Tudo isso, aliado à perspectiva de que há espaço para o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduzir o juro dos EUA ainda neste ano, aumentando, desta forma, a margem de arbitragem com o diferencial dos juros, atraem ainda mais capital.
A sobrevalorização do real desencadeou discussões. Ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo disse que o governo deve implementar até o final do primeiro semestre a desoneração tributária dos setores afetados pela valorização do real.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)