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WASHINGTON - O Banco Mundial nunca demitiu um presidente nos seus mais de 60 anos de história. Isso pode mudar esta semana.
O conselho de nações acionistas do banco se reunirá já nesta terça-feira e possivelmente realizará uma segunda reunião em seguida para decidir se Paul Wolfowitz será obrigado a deixar o cargo ou receberá uma chance de negociar a sua saída, segundo fontes do conselho que pediram para não serem identificadas.
Segundo as fontes, é virtualmente impossível que Wolfowitz permaneça na presidência pelo resto do seu mandato devido ao dano à credibilidade do banco à capacidade da instituição de ser eficiente na sua missão de reduzir a pobreza global.
A controvérsia ao redor do papel de Wolfowitz em uma promoção lucrativa de sua companheira, Shaha Riza, perita em Oriente Médio do Banco Mundial, paralisou a instituição há mais de um mês.
A associação de empregados do banco disse que a promoção e aumento de salário recebidos por Riza desrespeitaram regras e revelaram abuso de poder por parte de Wolfowitz, ex-vice-secretário de defesa dos EUA que foi um dos principais arquitetos da invasão do Iraque pelos Estados Unidos.
Wolfowitz reagiu dizendo que é vítima de uma campanha contra a sua reputação que tem como objetivo desacreditar a sua liderança dentro da instituição e minar a campanha dirigida por ele para posicionar o banco na vanguarda do combate à corrupção nos países em desenvolvimento.
Uma comissão especial nomeada pelo conselho para investigar a promoção de Riza informará suas conclusões para o conselho do banco esta semana, mas fontes do conselho disseram que o dano feito foi grande demais e que Wolfowitz terá que ser afastado.
Fontes do conselho disseram neste domingo que não há evidências de que a comissão tenha terminado seu trabalho e que nenhum relatório circulou até agora entre o conselho, formado por 24 nações e presidido pela Alemanha.
Não há regras referentes ao afastamento do chefe do Banco Mundial porque isso nunca aconteceu antes. O conselho do banco tem autoridade de nomear e demitir o presidente, que tradicionalmente é nomeado pelos Estados Unidos. Uma decisão pode ser tomada por consenso ou determinada por uma simples maioria de 51 por cento em uma votação. Os Estados Unidos detêm cerca de 16 por cento dos votos.
A controvérsia expôs uma antipatia dos funcionários do Banco Mundial e de países membros por Wolfowitz, devido ao seu papel na guerra do Iraque. A confiança demonstrada por Wolfowitz em um círculo de assessores trazido por ele do Pentágono e da Casa Branca piorou a situação dele e o isolou da estrutura de administração do banco, ocupada por funcionários de carreira.
Wolfowitz pediu a orientação da comissão de ética do conselho sobre como enfrentar um possível conflito de interesses em sua relação com Riza quando entrou para o banco, em 2005. A comissão o aconselhou a conseguir que ela fosse transferida para um emprego externo com uma promoção para compensá-la pela saída forçada do banco.
Wolfowitz disse que seguiu essa orientação, mas o ex-chefe da comissão de ética queixou-se que Wolfowitz lidou de maneira inadequada com esse arranjo e não notificou a comissão sobre suas ações. Wolfowitz reagiu dizendo que essa crítica é 'grosseiramente injusta e errada,' ao sugerir que ele tinha intenção de enganar alguém.
A controvérsia também levantou questões quanto aos procedimentos administrativos tradicionais do banco, especialmente o processo de seleção de seu presidente e a transparência do conselho.
Desde o início do banco, depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos sempre nomeou o presidente sem objeções, enquanto que a sua instituição-irmã, o Fundo Monetário Internacional, sempre foi um europeu.
O presidente dos EUA, George W. Bush, manifestou muitas vezes seu apoio à liderança de Wolfowitz no banco, enquanto que membros europeus expressaram preocupações sobre o dano causado pela controvérsia à credibilidade da instituição.