Bolívia corta fornecimento a Brasil e Argentina

LA PAZ (BOLÍVIA), 20 de abril de 2007 - A Bolívia confirmou nesta sexta-feira que a partir de domingo promoverá um corte no fornecimento de gás natural ao Brasil e à Argentina por causa da violenta tomada das instalações de petróleo por parte dos moradores do sul boliviano, para exigir mais recursos oriundos da exportação de hidrocarbonetos. No Brasil, o corte atingirá em cheio o mercado de Cuiabá, com o fornecimento de gás passando de 1,2 milhão de metros cúbicos diários para zero.

São Paulo e Santos serão afetados pela medida, com as exportações passando de 24,6 para 24 milhões de metros cúbicos de gás diários, segundo o ministro boliviano do Planejamento e Desenvolvimento, Gabriel Loza. Mas a Argentina será a mais afetada, com o abastecimento passando de 5 milhões de metros cúbicos para 1,2 milhão de metros cúbicos por dia.

A decisão, adotada pela iminente paralisação das operações do megacampo de San Alberto foi comunicada às estatais Petrobras e Enarsa, da Argentina, operadoras da importação.

"Nós, como governo, estamos informando que se trata de uma impossibilidade circunstancial", contemplada como atenuante nas cláusulas de penalidades dos contratos de fornecimento de gás assinados com o Brasil e a Argentina, explicou um porta-voz do ministério.

A decisão foi adotada prevendo as conseqüências que possam acarretar a tomada, por parte dos manifestantes, de três instalações - duas administradas pela holandesa Shell e a outra pela Petrobras.

Além disso ocorre um conflito há quatro dias entre duas províncias do sul boliviano pela jurisdição de um megacampo, que a título de royalties, rende US$ 25 milhões por ano.

O governo de Evo Morales conseguiu reunir em La Paz, por mediação do vice-presidente Alvaro García, as autoridades de O´Connor, uma das províncias em disputa, e os parlamentares do departamento de Tarija, onde está localizada a crise.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)