Gestores globais voltam para o mercado de ações

SÃO PAULO, 18 de abril de 2007 - O recente movimento de alta observado nos mercados mundiais foi impulsionado por um renovado apetite por risco. No entanto, a percepção quanto ao lucro das empresas segue melancólica. Esta é a mensagem proveniente da última Pesquisa com Gestores Globais realizada pelo banco de investimentos Merrill Lynch.

Os mercados globais subiram 5% entre as pesquisa de março e a de abril. Embora os gestores não acreditem em uma recessão mundial, as perspectivas para os lucros das empresas seguem baixas. Para 38% dos participantes o resultado das empresas deve piorar nos próximos 12 meses e mais de 46% indicam como improvável que os lucros corporativos crescerão 10% ou mais.

Ao invés de intimidados por esta visão, os investidores continuam acreditando que as ações estão com preços justos e que as companhias seguem desalavancadas.

"A pressão sobre as companhias para retornar dinheiro para seus acionistas parece forte o suficiente para justificar este tom pró-ações", afirmou David Bowers, consultor independente para o Merrill Lynch. "Isto pode vir de uma realavancagem das companhias ou de programas de recompra. No entanto, esta estratégia pode passar por dificuldades no caso de um inesperado aumento nos spreads de crédito e maiores custos de empréstimo."

Este movimento de retorno ao mercado de ações acontece em um momento de crescentes disparidades regionais. Destaque para a popularidade da Zona do Euro, dada a avaliação de múltiplos mais atrativa e melhores perspectivas de lucro.

Para 18%, as ações norte-americanas são as mais sobrevalorizadas do mundo, enquanto 26% indicam o mercado europeu como o mais subvalorizado. Para 38% dos gestores, a perspectiva de lucro na Europa é mais atraente em contraste com 42% que indicam uma visão menos otimista para os EUA. De acordo com a pesquisa, a diferença entre o otimismo para o lucro na Europa e o lucro nos EUA é a maior já registrada pela pesquisa.

Os dados sugerem que o ganho de posição da Europa está baseado em sólidos fundamentos. A performance das ações na região vem superando a registrada nos EUA e mais empresas têm elevado as perspectivas de lucros na Europa do que em qualquer outro lugar do mundo. Já as empresas nos EUA estão reavaliando seus lucros para baixo.

"Na nossa visão, um descolamento da Europa em relação aos Estados Unidos está claramente acontecendo", afirmou Karen Olney, chefe de Estratégia de Ativos para Europa dos Merrill Lynch de Londres. "Hoje, os EUA compram apenas 14% nas exportações da Zona do Euro. Já os emergentes da Ásia e da própria Europa compram mais de 30%. A proximidade destes mercados crescentes da Europa permitiu uma reorientação do crescimento de Oeste para Leste", complementa.

Pela primeira vez desde 2001, quando a economia norte-americana entrou em recessão, os economistas do Merrill Lynch prevêem que a Zona do Euro crescerá mais rápido que os EUA.

No total, foram entrevistados 214 gestores, responsáveis por US$ 697 bilhões em ativos, entre os dias cinco e 12 de abril. A sondagem foi conduzida com ajuda da Taylor Nelson Sofres, especializada em pesquisas de mercado.

(EC - InvestNews)