O movimento de compra reflete o cenário externo, onde Ásia voltou a bater recordes. Europa atingiu o maior patamar em seis anos e o índice Dow Jones reconquistou os 12.700 pontos, nível não registrado desde a instabilidade do final de fevereiro.
"O mercado está no embalo do mundo. Temos uma situação histórica de sempre pegar carona. Mas hoje, mais do que nunca, estamos melhores do que éramos no passado", avalia Nami Neneas, responsável pela área de renda variável da Banif Corretora.
Segundo o especialista, há um otimismo com relação ao Brasil, que apresenta indicadores positivos e uma taxa de juros em trajetória de queda. Sinal desta visão é o risco-País, que bateu piso mínimo de 151 pontos.
Para Neneas, as preocupações seguem, principalmente quanto ao desempenho da economia norte-americana. "Mas se tiver problema lá fora, estamos mais preparados para sair de fininho. O cenário está como pouca vezes se pode imaginar."
O especialista também destaca que o investidor está cada vez mais seletivo e começa a buscar empresas com sólidos fundamentos e múltiplos condizentes, movimento evidenciado pelo desempenho das últimas aberturas de capital.
Ainda de acordo como o profissional, o mercado está redescobrindo o que é bom e barato. Um caso destes é o setor de bancos, que teve forte movimentação hoje, resultado das negociações entre o ABN e o Barclays. Segundo, Neneas, este movimento de fusão/aquisição pode ser um sinal de que os bancos estão baratos em comparação com os pares mundiais.
Corre também pelo mercado a expectativa de que a RedeCard, empresa de administração de meios de pagamento, estaria planejando uma oferta. A empresa tem como acionistas Citibank, Itaú, MasterCard e Unibanco.
Liderando os ganhos dentro do índice as units do Unibanco (UBBR11) avançaram 6,39%, para R$ 19,79. O Bradesco (BBDC4) teve alta de 4,33%, para R$ 42,83. O Itaú (ITAU4) ganhou 2,86%, para R$ 77,25. E o Banco do Brasil (BBAS3) valorizou 2,86%, para R$ 69,90.
Forte alta também para a Perdigão (PRGA3) e Sadia (SDIA4), que avançaram 5,11% e 5,39% para R$ 28,75 e R$ 8,60, respectivamente. De acordo com Neneas, os papéis refletem a possibilidade de exportar carne suína para o Japão, mercado responsável por cerca de 30% do consumo mundial.
Responsáveis por quase 30% do índice, a Petrobras (PETR4) e Vale ganharam 1,97% e 3,16%, respectivamente. Petro encerrou a R$ 48,65 e a Vale a R$ 71,99.
(Eduardo Campos - InvestNews)