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MILÃO - O interesse da gigante norte-americana da telefonia AT&T e da mexicana América Móvil pelo controle da Telecom Italia intensificou as especulações do mercado sobre a possibilidade do governo italiano pressionar os bancos locais a bloquear ofertas estrangeiras por meio de uma proposta rival.
A AT&T e a América Móvil, controlada pelo empresário bilionário Carlos Slim, ofereceram cerca de 4,5 bilhões de euros (6,01 bilhões de dólares), de acordo com cálculos da Reuters, pela aquisição de um terço da Olimpia, a holding que é a maior acionista da Telecom Italia, com 18 por cento de participação no grupo.
A oferta transatlântica colocou em destaque as preocupações de Roma sobre o controle do maior grupo de telefonia italiano --antigo monopólio estatal de telecomunicações-- por interesses estrangeiros.
O ministro das Telecomunicações, Paulo Gentiloni, declarou no domingo à noite que estava 'muito preocupado' com as notícias, embora o governo de centro-esquerda do primeiro-ministro Romano Prodi tenha insistido em que não haveria obstáculos ao investimento estrangeiro na Itália.
O governo italiano vem lutando contra todas as tentativas da Pirelli para vender parte da Telecom Italia a grupos estrangeiros, e pode reforçar pressão sobre os bancos italianos para que adquiram a participação da Pirelli no quinto maior grupo de telecomunicações da Europa. Entretanto, nesta segunda-feira, Prodi afirmou que o governo italiano respeitará e considerará qualquer decisão do conselho de administração da Telecom Italia como 'sagrada'.
O jornal 'La Reppublica' informou que Guido Rossi, presidente-executivo da Telecom Italia, poderia trabalhar em planos alternativos que incluiriam a aquisição de até 20 por cento da empresa no mercado.
Uma solução nacional foi bloqueada no mês passado quando bancos italianos, entre os quais o Intesa Sanpaolo e o Mediobanca, hesitaram diante do preço de três dólares por ação solicitado pela Pirelli.
As ações da Telecom Italia subiam mais de 10 por cento, para 2,35 euros, e as da Pirelli avançavam acima dos 9 por cento, para 90,7 centavos de euro, às 10h50 (horário de Brasília).
A oferta dos grupos norte-americano e mexicano avalia os 2,4 bilhões de ações da Telecom Italia detidas pela Olimpia em 2,82 euros cada, menos as dívidas da holding, informou a Pirelli, que controla 80 por cento da Olimpia.
A América Móvil manifestou interesse em comprar a TIM Brasil, unidade celular da Telecom Italia, mas no início deste ano o grupo italiano informou que não aceitou qualquer oferta pela divisão.
O interesse mexicano na Olimpia pode ser um recurso para que a América Móvil tenha acesso aos ativos latinos da Telecom Italia.
- A compra pela AT&T e (América Móvil) oferece sinergias no Brasil... e parceiros industriais de qualidade, uma oferta vencedora, escreveram analistas do Merrill Lynch em nota. 'Esta é uma oportunidade única (para a América Móvil) em nossa visão', acrescentaram os analistas. A América Móvil controla 40 por cento do mercado de telefonia celular da América Latina e tem como principal rival na região a espanhola Telefónica.
A TIM Brasil é a segunda maior operadora celular do Brasil, atrás da Vivo, segundo ranking de participação de mercado da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).