Os policiais federais programam para terça-feira (03) uma manifestação. A categoria está em estado de greve. No encontro, eles podem decidir por uma paralisação geral e afetar a inspeção no embarque e desembarque de passageiros dentro dos aeroportos. "Vamos realizar uma operação padrão, ou seja, a inspeção vai ser muito mais detalhada e demorada", afirma o presidente da associação, Sandro Torres Avelar, destacando que com isso os passageiros serão bastante afetados, pois ficarão mais tempo retidos na área de desembarque.
Os policiais reivindicam um reajuste salarial de 60% que teria sido acordado com o ex-ministro da Justiça, Marcio Tomaz Bastos, em fevereiro de 2006. Segundo a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, o reajuste seria realizado em duas parcelas (30% mais 30%), entretanto, somente a primeira foi efetivada em julho do ano passado. Agora, a categoria briga pelo recebimento da segunda parte do reajuste.
Ao mesmo tempo, os controladores de vôos já começaram uma nova operação padrão que pode culminar em paralisação total dos serviços. Durante esta manhã, segundo o presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, os aeroportos de Manaus (AM) e de Curitiba (PR) já registram retenção de vôos. No entanto, o comando da Aeronáutica nega a manifestação, conforme informou a Agência Brasil.
De acordo com um boletim parcial da Infraero, ao todo, dos 956 vôos programados para esta manhã (0 às 14 horas), 144 registraram atraso superior a uma hora. De acordo com o boletim parcial, o volume de partidas fora do horário representa 15,1% das operações agendadas para o período.
A manifestação dos controladores de vôo teria sido motivada pela transferência do sargento Edleuzo Souza Cavalcanti do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), que atende aos aeroportos das regiões Sudeste e Centro-Oeste, para um destacamento em Santa Maria (RS). Cavalcanti é considerado um dos líderes desta categoria.
Em um manifesto divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, os controladores dizem: "não confiamos em nossos equipamentos e não confiamos nos nossos comandos". Segundo a nota, representantes de associações legais estão sendo perseguidos, "com afastamentos e transferências arbitrárias".
"A represália do alto escalão militar contra os sargentos controladores tem gerado tamanha insatisfação que não suportaremos calados em meio a tamanha injustiça e impunidade aos verdadeiros responsáveis pelo caos. Clamamos por mudanças tão quanto os passageiros desesperados por soluções imediatas".
(Vanessa Stecanella - InvestNews)