Entre as indústrias analisadas, Campelo destaca a química, especialmente o segmento de resinas, o que pode sinalizar uma aceleração do nível de atividade, já que inclui a produção de plásticos para embalagem, considerado um indicador antecedente para a economia. Já entre os bens de consumo não duráveis, a indústria farmacêutica e de alimentos verificou forte melhora na confiança, assim como material de transporte, que já vinha apresentando bom desempenho entre os duráveis.
´No final do ano passado e início deste, verificamos uma melhora significativa na confiança da indústria de bens de capital e de material de construção. Agora, com o avanço dos bens de consumo e intermediários, houve um aumento no grau de homogeneidade na indústria´, afirma Campelo.
Em março, o índice de confiança da indústria ficou em 115,8, frente 110,6 em fevereiro. O maior salto ocorreu na percepção dos industriais em relação ao presente, que passou de 118 para 120,8. ´O otimismo em relação ao presente reflete o elevado nível da demanda global, que é o mais alto desde abril de 1987´, afirma Campelo. Além disso, ressalta ele, o crescimento da massa salarial e da demanda interna contribuem para o aumento da confiança.
Ainda de acordo com a FGV, o indicador é o maior desde outubro de 2004, ano mais forte para a indústria no período recente, lembra o economista. ´Se o ritmo de crescimento for mantido, é possível que a indústria ultrapasse o nível de confiança registrado em 2004 (126,7 em outubro daquele ano)´, diz.
Campelo destaca que essa significativa alta no otimismo da indústria ainda não preocupa, já que o nível de utilização da capacidade instalada se mantém praticamente estável nos últimos meses, em torno de 83%. ´Ainda há ociosidade. O fato é que, na prática, a indústria ainda não demonstrou esse otimismo´, afirma Campelo. ´Agora é que estaríamos no ponto de acelerar a produção´, diz.
(Tatiana Freitas - InvestNews)