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Turbulência nos mercados é momentânea, dizem economistas

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REUTERS

SÃO PAULO - O solavanco no mercado financeiro mundial, que contaminou os ativos do Brasil, é mais um ajuste momentâneo do que uma crise que veio para ficar, na opinião de economistas de duas universidades brasileiras.

- O que aconteceu foi uma dor de barriga, já que nada de muito relevante mudou nos últimos dias, disse Carlos Eduardo Soares Gonçalves, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP.

O professor André Biancareli, do Instituto de Economia da Unicamp trilha caminho semelhante.

- A China parece mais um pretexto para um momento de correção, não aconteceu nada que leve a uma mudança estrutural, disse ele, avaliando que o mercado vai ver turbulências episódicas sem prazo definido.

Gonçalves acredita que o foco não pode estar na China, motor da crise no primeiro dia da turbulência, na terça-feira, porque o país tem pouca participação estrangeira. Assim, a queda da bolsa de Xangai de 9 por cento há dois dias pode ter contribuído para o movimento, mas não é essencial.

- É um processo de transição da China, que vai regulamentar o mercado financeiro local, afirmou Gonçalves, descartando grande relevância à possibilidade de o governo anunciar novas regras à bolsa de valores local.

Para o professor da USP, o cerne está nas preocupações com o crescimento dos Estados Unidos. As transições de patamar da economia que representa 25 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) mundial seriam responsáveis pelas turbulências atuais.

Na quinta-feira, o governo norte-americano divulgou que o PIB do país cresceu 2,2 por cento no quatro trimestre de 2006, em uma revisão dos 3,5 por cento do levantamento anterior. No ano, a economia dos EUA cresceu 3,3 por cento, taxa revisada em relação aos 3,5 por cento anunciados anteriormente.

O nervosismo do investidor com este desempenho acaba levando a influências voláteis, como a divulgação de dados como bens duráveis, com forte alteração periódica.

Biancareli inclui na discussão o ciclo de liquidez voltado a países emergentes, que começou em 2003 e teve um "soluço" em 2004. "O ciclo é marcado por movimentos de turbulência", mas ainda é uma realidade.

Ele não arrisca afirmar quando termina o movimento atual, mas diz que "os dados divulgados até agora não conseguem reverter o quadro favorável, tudo indica que é uma correção normal, passageira".