"Todas as bolsas, sem exceção, estão com gordura. Este movimento de realização era inevitável, mas não tão forte quanto Shanghai", avalia Décio Pecequilo, operador da Geração Futuro Corretora de Valores.
O movimento de venda teve início da Ásia, onde a Bolsa de Shanghai desabou quase 9%. De acordo com Pecequilo a realização lá tem um motivo real e palpável: os indicadores acumulavam alta de mais de 20% em 2007. E vale lembrar também que a valorização média as ações chineses em 2006 foi de 130%.
"Me parece que vamos sofrer menos", diz o especialista ressaltando que os fundamentos brasileiros seguem bons e os índices de inflação continuam em baixa.
"Acontece que o mercado sobe, sobe, sobe e quando aparece o motivo, todo mundo sai vendendo. Vejo isso mais como uma oportunidade de compra do que para se desfazer as carteiras", conclui.
O que deu o "start" no movimento de venda foi a sinalização do governo chinês de impor um controle ainda maior sobre os investimentos, com medidas visando conter o movimento também no mercado de capitais. Os investidores temem que este aperto também afete as companhias que fazem negócios na China. Uma decisão sobre prováveis medidas deve ser anunciada depois da Reunião do Congresso Nacional do Partido Comunista, que será realizado dia cinco de março.
O movimento de venda também foi observado em Hong Kong, onde o índice Hang Seng caiu 1,76%, a Bolsa de Seul perdeu 1,05% e no Japão, o Nikkei 225 fechou em baixa de 0,52%. Na Europa, Londres, Frankfurt e Paris caem mais de 2% cada.
O cenário adverso também atinge as commodities, com o preço do óleo recuando mais de 2%. Metais como ouro e prata e alguns grãos também perdem valor.
O cenário geopolítico também influi nos negócios. Hoje, o Irã anunciou que nunca mais irá abandonar seu programa de enriquecimento de urânio. Ainda hoje, o vice-presidente Dick Cheney escapou de um atentado suicida no Afeganistão, onde fazia uma visita às tropas. Ao menos três pessoas morreram. Em Nova York, Dow Jones e Nasdaq recuam 0,95% e 1,41%, respectivamente.
Puxando as perdas dentro do Ibovespa, as ações da Petrobras (PETR4) caíam 3,74%, para R$ 43,90. A Vale (VALE5) recua 3,60%, para R$ 63,09. O Bradesco (BBDC4) perdia 3,36%, para R$ 80,21.
Na contramão do mercado, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) avançavam 1,80%, para R$ 70,65. O banco encerrou 2006 com lucro líquido de R$ 6,044 bilhões, resultado 45,5% superior ao registrado em 2005. No quarto trimestre, o resultado do banco totalizou R$ 1,248 bilhão, crescimento de 37,5% sobre o observado no terceiro trimestre e 69,4% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Alta também para a Embratel (EBTP4), com ganho de 1,77%, para R$ 6,29, e para a Embraer (EMBR3), que avançava 0,08%, para R$ 23,99.
O setor siderúrgico apresenta forte queda, com Usiminas (USIM5) recuando 4,86%, para R$ 88,95. A CSN (CSNA3) caía 5,08%, para R$ 74,60, seguida pela Gerdau (GGBR4), com perda de 4,75%, para R$ 37,22.
No setor de imóveis e construção, a Gafisa (GFSA3) puxava as perdas caindo 5,68%, para R$ 30,19. A Lopes (LPSB3) caía 5,57%, para R$ 21,35 e a Cyrela (CYRE3) perdia 3,60%, para R$ 19,76.
(Eduardo Campos - InvestNews)