O banco ressalta que apesar dos esforços do governo para reduzir o déficit habitacional no país, estimado em 7,2 milhões de imóveis, os bancos brasileiros não tiveram uma participação ativa no mercado de financiamento imobiliário nos últimos anos.
Entre os bancos acompanhados pelo ML, o Unibanco é o que se mostra mais ativo no mercado de hipotecas, com 3,2% de sua carteira de crédito em empréstimos hipotecários. O Itaú vem em seguida, com 3%, e o Bradesco tem 2%. "De acordo com nossos analistas de sensibilidade, mesmo se este produto crescesse a taxas de 200% no acumulado dos próximos dois anos, as hipotecas ainda representariam menos de 10% da carteira de crédito deste bancos."
No Brasil, as hipotecas representaram menos de 2% do PIB no final de 2006, enquanto o crédito como um todo no país representa 34% do produto.
Segundo o ML, desde 2004 um ambiente favorável vem sendo criado para permitir o crescimento do mercado de hipotecas. O banco destaca a redução consistente dos juros, uma melhora no quadro regulatório, o forte crescimento do mercado de construção e o aumento da bancarização da população. "Acreditamos que o último grande catalisador para este mercado será a combinação de financiamento barato e de longo prazo, ponto que pode ser atingido com o contínuo desenvolvimento do mercado de capitais e de securitização", destaca o banco.
A crise do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) foi um dos principais motivos que mantiveram os bancos longe das hipotecas por ao menos dez anos. Criando com o propósito de liquidar eventuais saldos devedores residuais de mutuários do Sistema Financeiro da Habitação, o FCVS faliu no início dos anos 90, gerando uma crise em todo o mercado privado de hipotecas.
O banco ressalta que um cenário desses é pouco provável hoje em dia, resultado da estabilidade econômica atingida desde então, do ambiente de menores taxas de juros e do final dos sistemas de correção monetária.
(EC - InvestNews)