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Ciesp aplaude PAC, mas PIB tem que deslanchar

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SÃO PAULO, 22 de janeiro de 2007 - O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, diz que o setor industrial recebe com aplausos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem deixar de lado suas críticas quanto à condução da política econômica.

Segundo nota divulgada à imprensa, o especialista informa que a indústria não se furta ao direito de aplaudir toda e qualquer iniciativa que destrave os investimentos e coloque o Brasil em rota de crescimento com taxas semelhantes às de outros países em desenvolvimento.

O Programa estima investimentos de R$ 503,9 bilhões em logística, transporte, energia, saneamento e habitação. Desse total, R$ 437,0 bilhões, aproximadamente, estão previstos para sair das empresas estatais e do setor privado. Os R$ 67 bilhões restantes virão do Orçamento Federal. Entre as medidas anunciadas, o setor produtivo tem razões para comemorar as medidas de desoneração tributária e aquelas que representam simplificação burocrática, principalmente no campo dos processos ambientais e de comércio exterior.

Segundo comunicado, a avaliação das medidas revela que as intenções do governo se apóiam em três pilares importantes. Primeiro, a forte integração com o setor privado, com a liderança e a coordenação do processo exercidas pelo setor público. "Algo que nos faz lembrar a organicidade do Plano de Metas, implementado no governo JK", diz o executivo em comunicado.

Em segundo, explica Boris Tabacof, em nota, a expansão do PIB acima de 4,0% (a previsão é de 4,5% já para 2007) que, espera-se, assegure recursos suficientes para os investimentos propostos e permita que as regras impostas para contenção dos gastos correntes atinjam seus objetivos. "Se o PIB não deslanchar, os riscos para o atingimento das metas propostas são grandes", enfatiza.

Em terceiro, o marco federativo pois a regionalização dos investimetos, feita intencionalmente, visa a garantir o apoio dos novos governadores e conseqüentemente dos parlamentares no Congresso Nacional. Vale destacar que uma série de medidas do programa dependerá de aprovação legislativa.

"A nosso juízo, a confiança necessária para que o Brasil volte a crescer somente virá quando, por meio de reformas estruturais, tivermos criado as condições necessárias e suficientes para reduzir a tributação, baixar a taxa real de juros para níveis civilizados e garantir um ambiente regulatório que não crie nos empresários a desconfiança de que a qualquer momento as regras do jogo podem mudar. Nesse certame, o PAC pouco avança e aponta para as mesmas velhas e conhecidas intenções . A aceleração do crescimento só se dará na escala necessária, quando as empresas brasileiras tiverem condições de competição neste mundo globalizado", diz.

Há uma tentativa de que o PAC represente uma plataforma integrada e coordenada de açõs para o investimento, mas de modo algum é capaz de sinalizar o País almejado para o futuro. "Crescer acima da média mundial e de vários países emergentes ainda será um desafio a ser garimpado. As medidas de política econômica devem ir além das agora anunciadas, no que se refere à criação do ambiente que estimule e assegure um elevado nível de investimento no setor privado. Quem sabe, é um começo", conlui o especialista.

(Redação - InvestNews)