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Inflação aquém da meta mostra que juro ainda é alto

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SÃO PAULO, 10 de janeiro de 2007 - O Brasil não precisa continuar pagando os custos do processo de desinflação e seguir amargando baixo crescimento econômico neste ano. Um dos fatores que economistas levam em conta na hora de fazer a avaliação é a relação entre a taxa básica de juros (hoje em 13,25% ao ano) ? muito elevada ainda em relação aos padrões internacionais ? e a inflação apurada abaixo do centro da meta, acabam levando a uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de seu potencial.

´Em 2006, teremos inflação em torno de 3%, abaixo do centro da meta, o que é aceitável porque vínhamos de um processo de desinflação, com inércia e um horizonte com pressões inflacionárias. Aí, o esforço adicional era aceitável´, avalia o economista-chefe da Fator Corretora, Vladimir Caramaschi, ressaltando o crescimento medíocre do PIB.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza o sistema de metas de inflação, de 2006 será divulgado sexta-feira. Mas, pelas perspectivas dos agentes de mercado que respondem à pesquisa semanal do Banco Central, o percentual deve ficar em 3,11%, bem aquém do centro da meta para o período, de 4,5%. Para este ano, a expectativa dos analistas é de IPCA em 4%.

O economista avalia ainda que o Banco Central deve seguir com a trajetória de queda da Selic até um ponto em que proporcione, juntamente com o recuo do saldo comercial, a desvalorização do real frente ao dólar. Esse ponto em que o juro afetaria o câmbio, segundo ele, está próximo e pode ser alcançado em dezembro deste ano, quando a taxa Selic chegar a 11,5% ao ano, o que significaria, em termos reais, 7%. ´Poderíamos chegar a uma depreciação que levasse o dólar a R$ 2,40´, estima.

Como a inflação no Brasil sofre extrema influência do câmbio, Caramaschi diz crer que essa depreciação entre 12% e 15% possa acrescentar 0,5 ponto percentual no IPCA. ´Isso poderia levar a inflação dos 4% previstos para 4,5%, o que é bom para o BC porque ficaria no centro da meta´, afirma. ´O objetivo do regime não é ficar abaixo da meta, mas tentar levar a inflação para o alvo´.

(Simone Cavalcanti - InvestNews)