Já Kawall defende a manutenção da meta em 4,25% do PIB. "O importante é manter o superávit primário no atual patamar até o País atingir uma relação dívida líquida/PIB de 40%." Atualmente, essa relação está em 49,5% do PIB. Para o secretário do Tesouro, essa redução pode ser atingida no prazo de cinco anos.
Kawall argumenta que conseguir um aumento do superávit primário seria politicamente muito difícil. E se o governo optasse por essa iniciativa, ela teria de vir acompanhada de benefícios fiscais. "A redução da carga tributária deve andar junto com a contenção dos gastos públicos", afirmou. "Se conseguíssemos a aprovação do aumento do superávit, por medida de contenção de despesa, a melhor forma seria garantir que essa economia fosse investida em redução da carga tributária", afirmou. Ele defendeu a estratégia de mostrar à sociedade que a redução de gastos públicos acaba beneficiando a população. "O estímulo à sociedade torna mais equilibrado o processo de contenção de despesas e o governo ganha como aliado a iniciativa privada, que financiou os gastos públicos durante um longo período", disse.
Ainda no combate às críticas à política fiscal, Kawall ressaltou a importância de programas assistenciais, como o Bolsa Família, para a economia como um todo. "O fato de termos um amplo programa social é fundamental para mantermos a estabilidade do cenário político. Em 2006, nós tivemos a eleição mais tranquila entre todas que foram realizadas na América Latina, sendo que a nossa taxa de crescimento é a menor", disse. "Nem todo o investimento público é bom, e nem todo gasto corrente é necessariamente ruim", acrescentou.
(Tatiana Freitas - InvestNews)