Isso ocorre, segundo Silveira, porque os preços administrados são reajustados pelo IGP-DI, índice de inflação medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que sofre bastante influência da variação cambial. "Como os índices utilizados nos reajustes são dolarizados, isso acaba acontecendo", diz.
Para ele, essa diferença entre os preços administrados e a inflação, que ficou em 91,13 pontos percentuais nos últimos dez anos, tende a desaparecer daqui para frente. "No longo prazo, com a estabilização do câmbio, a tendência é de que os preços públicos apresentem uma convergência com a inflação, podendo até mesmo registrar uma variação inferior a ela", acredita o analista. Ele admite, no entanto, que esse comportamento dos preços provocou uma perda real de renda nos últimos anos.
A coordenadora de pesquisas de preço do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, observa que essa forte alta dos preços administrados prejudica principalmente a população de baixa renda, pois os preços que mais subiram foram de serviços essenciais, como transporte e energia elétrica. O item demais bens e serviços, observa ela, teve alta de 78,21% nos últimos dez anos, abaixo da variação apurada para a inflação global no período, de 94,62%. "A inflação está sossegada. O problema é que os preços administrados estão prejudicando muito, principalmente a população de baixa renda", diz.
Apesar de acreditar na convergência entre os preços administrados e os preços estipulados pelo mercado nos próximos anos, caso o cenário externo continue favorável, Fabio Silveira afirma que a melhor solução para acabar com esse problema seria a desindexação das tarifas ao IGP. "O ideal seria mudar o indexador. Mas isso dependerá do grau de maturidade do País", afirma.
(Tatiana Freitas - InvestNews)