Supermercados registram alta de 2,7% no consumo acumulado até setembro
Resultado considera todos os formatos do varejo alimentar e foi deflacionado pelo IPCA, segundo a Abras
O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 2,70% entre janeiro e setembro, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado ficou praticamente estável em relação ao acumulado até agosto, quando o indicador marcava 2,71%, e mostra continuidade da trajetória positiva ao longo de 2026.
Em setembro, o setor teve crescimento de 0,59% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na comparação com agosto, porém, houve queda de 1,46%, após dois meses seguidos de avanço. Os dados foram deflacionados pelo IPCA e consideram todos os formatos de supermercados, dos pequenos de bairro aos grandes varejistas.
Renda e emprego ajudam a sustentar as compras
Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o cenário do mercado de trabalho tem sido um dos principais fatores de apoio ao consumo. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica.
Além disso, o rendimento médio real habitual subiu para R$ 3.777, alta de 3,7% na comparação anual. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, também um recorde, com aumento de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Transferências de renda e alívio tributário no radar
Milan citou ainda fatores que injetaram recursos na economia em setembro, como o Bolsa Família, que destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias. Também mencionou a liberação de R$ 3,22 bilhões para pagamento de Requisições de Pequeno Valor e o pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Na avaliação da entidade, a isenção de impostos para produtos da cesta básica, incluindo proteínas como carne, frango e peixe, é uma das medidas mais relevantes para preservar o poder de compra. A Abras, porém, demonstra preocupação com eventuais novas taxas tributárias e com o endividamento das famílias.
Setor acompanha mudanças e alerta para riscos
A associação também relacionou a manutenção do consumo a outras decisões recentes, como a proibição das bets, apontando que as vendas de alimentos cresceram nas semanas posteriores à medida. Ao mesmo tempo, a Abras defende cautela com propostas que alterem a jornada de trabalho e a estrutura do varejo, para evitar impactos sobre a cadeia de abastecimento.
Para a entidade, o desafio agora é preservar o fôlego do consumo sem criar pressões adicionais sobre o orçamento das famílias e os custos do setor. A combinação de emprego forte, renda maior e políticas de alívio tributário segue como o principal suporte para o desempenho dos supermercados neste ano. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)