Brasil se reúne com representante de Comércio dos EUA após ligação de Lula e Trump
Encontro foi marcado depois do primeiro contato entre os presidentes desde as novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros
O governo brasileiro terá uma reunião na próxima segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro foi confirmado nesta terça-feira (25) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e surgiu após uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo o governo, foi o primeiro contato direto entre os dois desde que os Estados Unidos passaram a adotar novas tarifas contra produtos brasileiros. Depois da ligação, Greer procurou o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, para alinhar a data da reunião e retomar o canal de diálogo entre os dois países.
Tarifas americanas aumentam pressão sobre a relação bilateral
As medidas adotadas por Washington começaram em julho, quando os EUA impuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de supostas práticas comerciais desleais. Poucos dias depois, o governo norte-americano acrescentou uma tarifa de 12,5%, alegando que o Brasil teria uma legislação fraca para combater o trabalho forçado.
O governo brasileiro rejeita as duas acusações e trata as barreiras como um obstáculo relevante para as exportações nacionais. A reunião da próxima semana deve servir como mais uma tentativa de reaproximação, embora o ambiente siga marcado por desconfiança e resistência de ambos os lados.
Brasil não vê avanço imediato nas negociações
Apesar da retomada do diálogo entre Lula e Trump e da reunião já agendada entre representantes dos governos, a avaliação interna em Brasília é de cautela. Segundo a Reuters, o governo brasileiro não enxerga, no curto prazo, uma possibilidade concreta de avanço na questão das tarifas.
A expectativa é de que a conversa com Greer ajude a manter a interlocução aberta e a organizar os próximos passos da negociação. Mesmo assim, qualquer mudança nas medidas comerciais dependerá de novas conversas e de eventual disposição política dos Estados Unidos para rever as sobretaxas impostas ao Brasil.