Entidades rebatem crítica de Flávio Bolsonaro ao etanol na gasolina

Setor afirma que a mistura E32 foi aprovada com base em estudos e não traz prejuízos aos veículos

Por ECONOMIA JB

Entidades representantes dos produtores de açúcar e etanol responderam nesta sexta-feira à declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina à chamada reduflação. O setor afirmou que a fala desinforma o consumidor e desqualifica uma política construída ao longo de cinco décadas.

Na manifestação, assinada por Unica, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana, as associações destacaram que o aumento da mistura foi aprovado dentro de um processo técnico e regulatório. O grupo também lembrou que a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, abriu caminho para a elevação do percentual máximo de etanol na gasolina.

Testes indicam viabilidade técnica

Segundo o setor, o E32 foi implementado com base em avaliações realizadas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes envolveram 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e em pista, com misturas de 27%, 30% e 32% de etanol.

Os ensaios foram acompanhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além de fabricantes e importadores de veículos e motocicletas. De acordo com as entidades, os resultados apontaram plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho dos veículos ou ao consumidor.

Defesa do biocombustível

A mistura de 32% passou a valer em 1º de agosto por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A lei aprovada no Senado em 2024 elevou para até 35% o limite permitido para a composição da gasolina com etanol anidro.

Além do debate técnico, as entidades defenderam os efeitos econômicos e energéticos do biocombustível. Segundo o setor, o etanol é produzido em mais de mil municípios brasileiros e contribui para a geração de empregos, para a economia ao consumidor e para a soberania energética do país.

Resposta ao discurso de Flávio Bolsonaro

Durante uma live na quinta-feira, 20, Flávio Bolsonaro disse que a proporção de etanol na gasolina deveria ser discutida e comparou a mudança à redução de produtos vendidos pelo mesmo preço. Ele também afirmou que, ao pagar por gasolina, o consumidor deveria levar apenas gasolina, e mencionou possíveis danos aos motores.

As entidades rebateram a comparação e afirmaram que continuarão defendendo o uso do etanol com base em fatos e ciência. Para o setor, a política fortalece a indústria, beneficia o consumidor e amplia a segurança energética do Brasil. (com informações da Agência Estado)