Bancos pedem mudança no novo modelo de crédito imobiliário
Instituições querem rever regras que entram em vigor em 2027 e discutem opções com o Banco Central
Grandes bancos estão em conversa com o Banco Central para tentar alterar pontos centrais do novo modelo de crédito imobiliário, lançado pelo governo federal em outubro de 2025 e previsto para começar a valer em janeiro de 2027. O principal pedido do setor é a revisão do teto de juros de 12% ao ano imposto às operações enquadradas no Sistema de Financiamento Habitacional (SFH).
Segundo fontes ouvidas reservadamente, as instituições financeiras também defendem acelerar a liberação dos depósitos compulsórios da poupança e até adiar a vigência das novas regras, caso a discussão não avance no ritmo desejado. O BC, por sua vez, tem sinalizado abertura para ajustes no desenho do modelo.
O que muda no financiamento habitacional
Hoje, parte relevante dos recursos da poupança é direcionada ao crédito imobiliário, enquanto outra parcela fica retida como compulsório para dar segurança ao sistema. No novo modelo, a fatia disponível para empréstimos deve chegar a 80% ao longo de dez anos, com redução gradual dos compulsórios até zero.
A lógica é permitir que, a cada real aplicado em crédito imobiliário, o banco possa acessar o mesmo valor da caderneta para usar livremente em outras linhas, como cheque especial, consignado e financiamento de veículos. Para isso, as instituições precisam manter 80% dos recursos no SFH, que atende imóveis de até R$ 2,25 milhões e impõe juros máximos de 12% ao ano.
Por que os bancos reclamam
O setor argumenta que a transição do funding será mais cara. Hoje, a poupança é uma fonte barata, com custo estimado em torno de 8% ao ano, mas o novo arranjo deve aumentar a participação de LCIs e do mercado de capitais, cujas taxas acompanham a Selic, atualmente em patamar mais alto.
Para executivos de bancos e entidades do setor, essa mudança torna a gestão do crédito habitacional mais complexa e expõe o modelo às oscilações de mercado. Em um cenário de juros elevados, dizem, o teto de 12% pode limitar a concessão de financiamentos e comprometer a viabilidade da operação.
Banco Central admite desafios
Em evento da Abecip, o diretor de regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, reconheceu que a exigência de destinar 80% dos recursos ao SFH, com teto de juros de 12% ao ano, pode se tornar um desafio em momentos de juros mais altos. Ele afirmou que o novo modelo está em reavaliação permanente, ao longo dos testes e também durante toda a sua vigência.
Com isso, o mercado interpreta que há espaço para ajustes na implementação. A discussão segue aberta entre bancos e regulador, enquanto o setor tenta reduzir incertezas sobre o custo do crédito e o ritmo de adaptação ao novo sistema de financiamento habitacional. (com informações da Agência Estado)