Governo Central tem superávit de R$ 25,2 bilhões em abril
Arrecadação recorde e crescimento das receitas fizeram o resultado superar as expectativas do mercado
O Governo Central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou superávit primário de R$ 25,2 bilhões em abril. O resultado foi divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (28) e representa alta real de 32,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo positivo foi de R$ 18,2 bilhões.
O desempenho também superou a expectativa do mercado. Pela pesquisa Prisma Fiscal, a projeção era de superávit de R$ 17,8 bilhões no mês. Na comparação, o resultado de abril foi impulsionado principalmente pelo crescimento da arrecadação e por uma expansão menor das despesas totais.
Receitas em alta sustentam o resultado
A receita líquida do Governo Central cresceu 5,8% em termos reais, o que significou acréscimo de R$ 12,8 bilhões. Já as despesas totais avançaram 3,3%, com aumento de R$ 6,6 bilhões. Com isso, o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 58,3 bilhões, enquanto a Previdência Social apresentou déficit de R$ 33,1 bilhões.
Entre os principais destaques da arrecadação estão o Imposto de Importação, o Imposto de Renda, o IOF, a Cofins, a receita previdenciária e os recursos naturais. O crescimento dessas receitas refletiu fatores como aumento das importações, maior arrecadação sobre rendimentos, expansão da atividade econômica e alta do preço internacional do petróleo.
Despesas também cresceram, mas em menor ritmo
Do lado das despesas, os maiores aumentos vieram de benefícios previdenciários e de pessoal e encargos sociais. No caso da Previdência, o avanço foi puxado pelo aumento no número de beneficiários e pelos reajustes reais do salário mínimo. Já em pessoal, pesaram os reajustes salariais do funcionalismo federal.
No acumulado de janeiro a abril, o Governo Central registra superávit de R$ 8,7 bilhões, ante R$ 73,2 bilhões no mesmo período de 2025. A diferença ocorre, sobretudo, pela antecipação do pagamento de precatórios, concentrada em março deste ano, enquanto no ano passado o efeito ocorreu em julho.
Meta fiscal e cenário para 2026
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas, sem considerar os juros da dívida pública. Para 2026, a meta fiscal prevê superávit de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,9 bilhões, com exclusões previstas para precatórios e outras despesas fora do arcabouço fiscal.
Apesar das exceções permitidas pelas regras fiscais, a previsão oficial do governo ainda aponta déficit efetivo de R$ 60,3 bilhões no ano. Isso mostra que, embora abril tenha trazido um alívio nas contas públicas, o equilíbrio fiscal segue como um dos principais desafios da gestão federal.