'Está falando com a pessoa errada': a resposta fulminante de Haddad a uma ameaça de Vorcaro
A postura do titular da Fazenda acabou sendo vista por auxiliares e integrantes do mercado financeiro como um movimento prudente. Meses depois das tentativas frustradas de reunião, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) e o Banco Master entrou em colapso, passando por liquidação determinada pelo Banco Central
Por Ivan Longo - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rejeitou repetidas tentativas de aproximação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes de explodir o escândalo do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias. A recusa foi firme e se manteve mesmo diante de pressões e recados enviados por interlocutores do empresário.
Em uma das investidas, segundo relato feito por interlocutores ao jornalista Lauro Jardim, Vorcaro chegou a mandar um aviso em tom de ameaça a Haddad.
“Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.
A resposta do ministro foi direta e encerrou a conversa.
“Você está falando com a pessoa errada”, disse Haddad ao emissário do banqueiro.
A postura do titular da Fazenda acabou sendo vista por auxiliares e integrantes do mercado financeiro como um movimento prudente. Meses depois das tentativas frustradas de reunião, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) e o Banco Master entrou em colapso, passando por liquidação determinada pelo Banco Central.
Tentativas frustradas
Segundo relatos de pessoas próximas ao ex-banqueiro, Vorcaro vinha tentando abrir um canal com Haddad havia meses. Apesar de ter construído uma rede de relações com figuras influentes dos três Poderes, a porta do Ministério da Fazenda permaneceu fechada.
O empresário buscou ajuda de interlocutores que tinham trânsito no governo. Entre eles estava o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atuava como consultor do Banco Master. Ainda assim, não conseguiu viabilizar uma audiência com Haddad.
A decisão do ministro foi tomada após consultas informais ao mercado financeiro. De acordo com relatos de auxiliares, Haddad ouviu avaliações de que a situação do Banco Master era “insustentável” e que a instituição poderia “explodir” a qualquer momento. Diante desse cenário, optou por evitar qualquer encontro — e também qualquer imagem pública ao lado de Vorcaro.
Aliados do ex-banqueiro chegaram a atribuir a resistência do ministro a supostas intrigas de adversários no setor financeiro. No entorno de Haddad, porém, a avaliação sempre foi de cautela institucional.
Escândalo e prisão
A crise que atingiu o Banco Master acabou confirmando as preocupações relatadas ao ministro. Investigações da PF apontam fraudes bilionárias envolvendo a instituição, o que levou à prisão de Vorcaro e à liquidação do banco.
O caso se tornou rapidamente um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro e passou a gerar disputas políticas em Brasília.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o banco e afirmou que pretende incluir Haddad e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entre os alvos da investigação.
O ministro reagiu e afirmou que as fraudes ocorreram durante o governo anterior. “Logo saberemos debaixo do nariz de quem as fraudes do Banco Master não apenas ocorreram, como foram promovidas”, declarou Haddad.