ECONOMIA

Lucro de R$ 124,6 bilhões da Petrobras em 2023 é o 2º maior, mas estatal reduz dividendos em 62,78%, para R$ 72,4 bilhões

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Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 08/03/2024 às 07:43

Alterado em 08/03/2024 às 19:35

Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras fechou 2023 com lucro líquido de R$ 124,6 bilhões. É o 2º mais alto na história da companhia (perdeu para os R$ 188,328 bilhões de 2022) e vem acompanhado do 2º maior Ebitda da história, R$ 262,2 bilhões, e do 2º maior fluxo de caixa operacional - R$ 215,7 bilhões. O balanço só foi divulgado, em Fato Relevante ao mercado e à Comissão de Valores Mobiliários às 23H12 da 5ª feira.

Os resultados foram sustentados pelos recordes operacionais ao longo do ano passado e pela bem-sucedida estratégia comercial dos novos preços para diesel e gasolina, adotada em maio, quando a companhia abandonou a paridade de preços internacionais (PPI) e passou a “abrasileirar” os preços, com maior uso do petróleo mais leve do pré-sal e aumentou a utilização das refinarias.

A companhia aprovou o pagamento de R$ 72,4 bilhões em dividendos referentes ao ano passado. Trata-se de uma redução de 62,78% frente aos benefícios recordes de R$ 194,6 bilhões pagos em 2022 (mais do que o próprio lucro do ano). O valor pago pela Petrobras em dividendos em 2022 superou a soma de dividendos pagos por todas as empresas listadas na B3. Parte dos resultados vieram da venda de ativos, como poços de petróleo, sistemas de gasodutos e a refinaria Landulpho Alves (BA), vendida por US$ 1,65 bilhão.

Recordes de produção e investimentos

Na comparação entre 2022 e 2023, o preço internacional do petróleo (Brent) caiu 18% e o diferencial de preço do diesel em relação ao petróleo (“crackspread”) caiu 23%. “Mesmo neste cenário mais desafiador, batemos recordes atrás de recordes de produção, aumentamos os investimentos, reduzimos a dívida financeira e colocamos em operação quatro novas plataformas neste primeiro ano de gestão. Tudo isso com menor intensidade de emissões e mais eficiência. Por isso, celebramos as conquistas de 2023 e compartilhamos os ganhos com a sociedade brasileira”, destaca Jean Paul Prates, presidente da Petrobras.

Em 2023, a Petrobras investiu US$ 12,7 bilhões, um crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Além disso, a companhia pagou R$ 240 bilhões em tributos à União e demais entes públicos. “Estamos mais próximos da sociedade. Um dos exemplos é que lançamos, nesta gestão, as maiores seleções de projetos socioambientais e culturais da história da Petrobras”, complementa Jean Paul.

O retorno ao acionista da Petrobras superou de longe o das empresas pares ao longo de 2023. O TSR – Total Shareholder Return, que considera o pagamento de dividendos e a variação das ADRs preferenciais na bolsa de Nova York, foi 112%, percentual bem superior ao de empresas de mesmo porte no setor, que atingiram no máximo o patamar dos 20%.

Durante o ano, as contribuições da Petrobras à sociedade também foram reconhecidas em diversas premiações. A companhia, por exemplo, é a única empresa premiada nas cinco categorias de boas práticas do Movimento Transparência Brasil do Pacto Global da ONU.

Outro resultado que se destaca nos dados financeiros da Petrobras em 2023 é a redução de US$ 1,2 bilhão na dívida financeira da empresa. A dívida bruta permanece controlada, no patamar de US$ 62,6 bilhões, mesmo após o aumento de US$ 10 bilhões referentes a arrendamentos, incluindo US$ 8,7 bilhões relativos ao afretamento das quatro novas plataformas de produção que iniciaram a produção em 2023: os FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi, no projeto de revitalização de Marlim e Voador, o FPSO Almirante Barroso, quinta unidade a entrar em operação no campo de Búzios, e o FPSO Sepetiba, segundo sistema definitivo de produção de Mero. Os afretamentos de plataformas passaram a ser considerados na dívida em 2019 pela norma contábil internacional (IFRS 16).

“Os resultados financeiros de 2023 mostram que estamos construindo uma Petrobras mais sólida, mais resiliente e capaz de gerar valor a longo prazo para seus sócios e para a sociedade. O crescimento da companhia também se refletirá no desenvolvimento socioeconômico do país. Os investimentos previstos no Plano Estratégico 2024-2028 têm o potencial de gerar 280 mil empregos diretos e indiretos”, destaca o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Sérgio Caetano Leite.

“Este é o primeiro ano de uma jornada que levará a Petrobras a liderar a transição energética justa no Brasil de forma gradual e consciente. Vamos encarar os desafios aproveitando as sinergias com os nossos negócios e alavancados nas nossas expertises, nunca negligenciando a geração de valor econômico, como não poderia deixar de ser para uma empresa que quer manter-se competitiva e perpetuar valor para as gerações futuras”, destaca o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

Recordes operacionais

Em suas operações, a Petrobras também superou uma série de recordes em 2023. A produção total própria no pré-sal chegou a 2,17 milhões de barris de óleo equivalente, 10% acima do registrado no ano anterior. Com isso, o pré-sal já representa 78% da produção total da companhia. A boa produtividade das jazidas nesta fronteira se comprovou mais uma vez com o topo de produção do FPSO Almirante Barroso, em tempo recorde: menos de 5 meses.

Outros recordes registrados pela Petrobras no ano ocorreram no processamento de óleos do pré-sal, que representaram 65% da carga processada no Refino, três pontos percentuais acima do volume de 2022; e na produção e vendas de diesel S-10: Produção de 428 mil barris por dia (bpd) e vendas de 463 mil (bpd). Enquanto o fator de utilização do parque de refino chegou a 92%, um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2022.

O ano de 2023 foi marcado também por recordes de eficiência em carbono tanto no Refino quanto no E&P, o que permitiu a redução de 1,8 milhão de toneladas de CO2e nas emissões absolutas de 2023 em relação a 2022. Em relação a 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris, a redução já é superior a 40%. Além disso, a Petrobras atingiu o melhor resultado histórico em redução de emissões de metano, uma de suas prioridades.

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