Depois de reunião com Lula, BC eleva projeção de crescimento do PIB de 2% para 2,9%
Relatório do órgão aponta surpresa com crescimento no segundo trimestre, mas pondera que crescimento se deve a 'atores transitórios'
Após uma primeira reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a estatal elevou a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado pelo órgão nesta quinta-feira (28), o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve crescer 2,9%. A projeção anterior era de um crescimento de 2%.
A estimativa é levemente inferior ao cálculo apresentado pelo Ministério da Fazenda, de Fernando Haddad, que espera que o Brasil cresça 3,2% em 2023, mas praticamente a mesma da última edição do Boletim Focus, que estima um crescimento de 2,92% do PIB no ano.
Além disso, e em menor medida, o BC faz previsões "ligeiramente mais favoráveis" para a evolução da indústria, de serviços e do consumo das famílias no segundo semestre de 2023. O prognóstico mais otimista ocorre em razão dos números "surpreendentes" do segundo trimestre de 2023 - de abril a junho.
No período, a economia cresceu 0,9%, na comparação com os primeiros três meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a economia brasileira avançou 3,4%. O PIB acumula alta de 3,2% no período de 12 meses. No semestre, a alta acumulada é de 3,7%.
“A atividade econômica surpreendeu novamente no segundo trimestre”, destacou o BC no relatório, mas ponderou que "o forte crescimento" no período se deve a "fatores transitórios". Por isso, o órgão projeta que a atividade econômica do país “cresça em ritmo menor nos próximos trimestres e ao longo de 2024”. De acordo com o relatório, o PIB do país deverá crescer 1,8% em 2024.
O receio sobre o crescimento das economias – incluindo o Brasil – no futuro se deve a uma ambiente externo “mais incerto”, segundo o BC. Há temores sobre a crise no setor imobiliário da China, que representa cerca de um quarto do PIB chinês e dois terços das riquezas das famílias. Some-se a isso “a alta dos juros de longo prazo nas principais economias”, de acordo com o relatório.
Inflação
A previsão de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para este ano se manteve em 5%, a mesma do relatório de junho. Para isso, o BC projeta cenário com taxa básica de juros em 11,75% ao ano e câmbio em R$ 4,90.
Para 2024 e 2025, a expectativa é que o IPCA fique em 3,5% e 3,1%, respectivamente. Nessa trajetória, a taxa Selic chega ao final de 2024 e 2025 em 9% e 8,5% ao ano, respectivamente. O relatório destaca que a chance de a inflação oficial superar o teto da meta este ano subiu de 61% no relatório de junho para 67% agora em setembro.
A meta para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,25% de inflação, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%. Para 2024 e 2025, o CMN estabeleceu meta de 3% para o IPCA, nos 2 anos seguintes, com o mesmo percentual de tolerância.
As previsões do mercado estão mais otimistas que as oficiais. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%.