Gripe aviária nos EUA e guerra na Ucrânia impulsionam exportação de carne do Brasil

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Sandy Oliveira - Os embarques brasileiros de carne de frango alcançaram o seu melhor desempenho no primeiro semestre deste ano, com vários países não só comprando mais a proteína brasileira, mas também pagando um valor maior por ela. No período, o País exportou 2,42 milhões de toneladas, avanço de 8% em relação a igual período de 2021, com receita de US$ 4,728 bilhões, ou 36% a mais, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

Para analistas do mercado ouvidos pelo Broadcast Agro, a boa performance dos embarques está sendo beneficiada pelos casos de gripe aviária nos Estados Unidos e na Europa, que limitaram a oferta global de carne de frango, assim como a guerra na Ucrânia, importante fornecedora mundial dessa commodity. A expectativa do mercado é de que a forte demanda siga ao longo do segundo semestre deste ano, e que o País bata recorde de exportação.

Além disso, com o consumo doméstico mais lento, em razão do baixo poder aquisitivo da população, a solução para o setor tem sido o mercado externo, avalia a analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), Juliana Ferraz. "O setor está ganhando tanto em termos de volume exportado quanto em termos de receita, com os preços em alta da proteína no mercado internacional."

Países consumidores de produtos halal (alimentos que respeitam os preceitos da religião islâmica) também reforçam a demanda pela carne de frango brasileira. "Este é outro fator positivo. O abate halal deu ao País uma notoriedade muito grande lá fora. Nós já tínhamos esse mercado consolidado, mas, agora, a demanda tem crescido muito mais em razão da guerra na Ucrânia", diz a analista do Cepea. Além disso, Coreia do Sul e México reforçaram as compras. Só no primeiro semestre, já adquiriram 72,3% e 78,3%, respectivamente, de tudo o que haviam importado de carne de frango do Brasil no ano passado.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Irineo da Costa Rodrigues, o Brasil está conseguindo aproveitar as oportunidades de mercado, com a ausência de players importantes, como a Ucrânia, e escoar sua produção de frango. O fato, ainda, de o território brasileiro não ter casos de gripe aviária dá credibilidade para o setor, na avaliação de Rodrigues. "Além disso, mesmo com os picos de alta nos custos de produção, temos capacidade de atender a todo o mercado externo, assim como o interno", pontua. Já este cenário de custo em alta para o avicultor e a indústria, segundo ele, tende a ser amenizado com a chegada da segunda safra de milho, que está em plena colheita.

Atualmente, o Brasil é o primeiro exportador de frango e o segundo maior produtor global. A Ucrânia, por sua vez, exportava, até antes da guerra, 460 mil toneladas de carne de frango por ano - quantidade que representa apenas 10% do que o Brasil vende ao exterior anualmente. O diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luís Rua, observa que os embarques ucranianos se concentravam em três importantes mercados: Emirados Árabes Unidos, União Europeia e Arábia Saudita. "São super relevantes para o Brasil, mas são mercados que vínhamos perdendo espaço nos últimos anos", diz. Agora, com o conflito no Leste Europeu, o Brasil amplia as vendas para lá.

Segundo Rua, a falta do produto no Oriente Médio impulsionou os preços da proteína no mercado internacional, ao mesmo tempo em que o Brasil viu as despesas com produção crescerem. Para Rua, porém, é importante salientar que, apesar de ter se elevado o ritmo de embarque da proteína, o "grosso" da produção segue destinada ao mercado interno.

O CEO da Seara - marca da JBS para frangos e suínos -, João Campos, diz que a avicultura brasileira se destaca pela competitividade, qualidade, sustentabilidade e vigilância sanitária. "Pontos essenciais da parceria da companhia com produtores integrados", observa. Segundo Campos, a demanda permanece firme neste ano, independentemente de situações pontuais em outras nações produtoras. Procurada, a BRF, outra gigante exportadora do setor de aves e suínos do Brasil, optou por não comentar o assunto.

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