Caminhoneiros afirmam que paralisação continua por tempo indeterminado

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Reuters/Ricardo Moraes
Credit...Reuters/Ricardo Moraes

Caminhoneiros autônomos continuarão a paralisação nacional da categoria por tempo indeterminado, segundo representantes ouvidos pelo Broadcast Agro. O movimento que iniciou segunda (1º), de forma pontual, seguiu ao longo dessa terça-feira. "Continuamos a paralisação até o governo apresentar alguma resposta às demandas da categoria. A adesão está boa, dentro do esperado e em vários Estados. Há poucos caminhões rodando nas rodovias", disse o presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Plínio Dias. A interrupção das atividades concentra-se na categoria dos autônomos, sem adesão dos celetistas e empresas transportadoras.

Mais cedo, o Ministério da Infraestrutura informou que as rodovias federais e pontos logísticos estratégicos do País continuam sem nenhuma ocorrência de bloqueio parcial ou total na manhã dessa terça-feira. Segundo o ministério, segue havendo apenas um ponto de concentração no km 276 da BR-116/RJ (na rodovia Presidente Dutra), em Barra Mansa (RJ), sem bloqueio e sem abordagem a caminhoneiros que seguem viagem.

Em Santos (SP) um grupo de manifestantes segue realizando protesto nas intermediações do porto, conforme informações do ministério. Presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Santos disse ao Broadcast Agro, há pouco, que os 2 mil caminhoneiros associados ao sindicato seguem parados. "Aguardando resposta do governo", pontuou Santos.

Diante da proibição de interdições e bloqueios nas estradas, a greve nacional está restrita a manifestações às margens das rodovias e veículos estacionados em postos de combustíveis. O governo federal se antecipou aos atos e obteve 29 liminares judiciais proibindo bloqueios nas estradas e em pontos logísticos estratégicos de 20 Estados. "O movimento segue aqui em Ijuí (RS), apesar do efeito das liminares que não permitem a interdição da pista. Vemos apenas veículos de empresas rodando. O movimento tem adesão de 95% da categoria", afirmou o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer, em vídeo encaminhado à reportagem. "Temos direito de manifestar nosso descontentamento com a política adotada do governo Bolsonaro especialmente no óleo diesel", disse Litti, que estava em ato no entrocamento das rodovias BR 285 com RS 242 em Ijuí (RS).

As associações haviam recorrido ao Supremo Tribunal Federal pedindo reversão das decisões, mas o pedido foi indeferido pela Corte. "Já conseguimos algumas liberações para atos nas faixas e acostamento como em Barra Mansa (RJ). Aguardamos decisões sobre outros pedidos que fizemos para derrubada de liminares que ainda não foram apreciados", afirmou Dias. Ele, assim como outras lideranças, criticou a postura do governo federal acusando-o de agir de forma diferente nas manifestações de 7 de setembro. "Quando tinham falsos líderes de caminhoneiros incitando a violência e a antidemocracia, o governo não fez nada. Agora, que é a classe trabalhadora, o governo não quer conversa e não apoia", avaliou.

O CNTRC e a CNTTL estão à frente do movimento junto com a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava). "O ato não é contrário ao governo. A pauta é pela sobrevivência dos caminhoneiros", disse Dias. As principais reivindicações dos caminhoneiros são o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, mudança na política de preço da Petrobras para combustíveis e o retorno da aposentadoria especial a partir de 25 anos de contribuição, entre outros mais de dez itens. (Isadora Duarte/Agência Estado)


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