Itaú: inflação de 8,4% em 2021 faz Selic fechar ano em 8,25%, subir a 9% em fevereiro, e o PIB só crescer 0,5% em 2022

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Maior banco privado do país, o Itaú Unibanco revisou nesta terça (14) para pior as projeções da economia para 2021 e 2022 em relação a agosto. Com a “inflação corrente em alta” e mostrando “repasse para itens mais inerciais, como serviços”, o Departamento de Estudos Econômicos do banco elevou de 7,7% para 8,4% a projeção da inflação em 2021, e de 3,9% para e 4,2% a de 2022.

Essa alta da inflação, medida pelo IPCA, deve levar o Banco Central a elevar os juros até 9% em fevereiro de 2022 e manter a taxa nesse nível ao longo do próximo ano. O Itaú mantém a aposta de que o Banco Central vai aumentar a Selic, hoje, em 5,25% ao ano, em 1 ponto percentual na reunião do Copom de 22 de setembro e repetir a dose em 27 de outubro e em 8 de dezembro, quando a taxa fecharia o ano em 8,25% ano. A XP também reduziu hoje a projeção de crescimento do PIB em 2022 para 1,3% e espera Selic de 8,25%.

Para o Itaú, o recrudescimento da inflação, que tira o poder de compra dos consumidores e ainda obriga o Banco Central a desacelerar a economia, via aumento dos juros, terá suas consequências na redução do PIB. Em julho, o Itaú chegou a prever alta de 5,8% no Produto Interno Bruto deste ano e de 1,8% em 2022. Em agosto, reduziu para 5,7% este ano e para 1,5% em 2022.

Crescimento inferior ao da população

Agora, “após a divulgação do PIB do 2T21 e dados recentes”, o Depec Itaú reduziu de 5,7% para 5,3% a projeção de crescimento deste ano e derrubou a taxa do ano eleitoral de 2022 de 1,5% para apenas 0,5%.

Esta seria a menor taxa de crescimento do PIB desde a recessão de 3,3% de 2016. Considerando que a taxa de aumento da população está em 0,7% ao ano, o país teria perda de crescimento no PIB per capita (a relação entre o aumento do PIB e o aumento da população).

Dólar ainda em alta

Apesar da escalada dos juros implicar redução dos níveis do dólar (que estava hoje em R$ 5,23, o Itaú continua “projetando apreciação do câmbio em relação aos patamares atuais este ano, porém de forma menos intensa em razão das incertezas domésticas”.

O banco revisou a projeção para R$ 5,00 por dólar ao final de 2021 (ante R$ 4,75) e para R$ 5,20 por dólar ao final de 2022 (ante R$ 5,10).

O banco considera que “a vacinação tem avançado e deve permitir uma volta à normalidade econômica ainda neste ano”. Mas pondera que “o principal risco a considerar é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas”.

Incertezas fiscais

O Itaú está esperando “déficits primários de 1,4% do PIB em 2021 e 0,7% do PIB em 2022 e que a dívida bruta alcance 81,8% do PIB em 2021 e 83,3% em 2022, vindo de 88,8% em 2020 e 74,3% em 2019”.

Mas considera “que os riscos em torno da manutenção da disciplina fiscal estejam aumentando, seja pela renúncia de receitas prevista na proposta de mudança na tributação de renda e lucro [que também serão afetados pelo crescimento menor esperado para 2022], seja pelas maiores dificuldades de conciliar o cumprimento do teto de gastos com a aceleração da inflação, aumento inesperado do gasto com precatórios e pressões para aumento do Bolsa Família, que podem levar a maiores créditos extraordinários não sujeitos ao teto de gastos”.

Itaú: inflação de 8,4% em 2021, faz Selic fechar ano em 8,25%,

subir a 9% em fevereiro, e o PIB só crescer 0,5% em 2022

Gilberto Menezes Côrtes

Maior banco privado do país, o Itaú Unibanco revisou hoje para pior as projeções da economia para 2021 e 2022 em relação a agosto. Com a “inflação corrente em alta” e mostrando “repasse para itens mais inerciais, como serviços”, o Departamento de Estudos Econômicos do banco elevou de 7,7% para 8,4% a projeção da inflação em 2021, e de 3,9% para e 4,2% a de 2022.

Essa alta da inflação, medida pelo IPCA, deve levar o Banco Central a elevar os juros até 9% em fevereiro de 2022 e manter a taxa nesse nível ao longo do próximo ano. O Itaú mantém a aposta de que o Banco Central vai aumentar a Selic, hoje, em 5,25% ao ano, em 1 ponto percentual na reunião do Copom de 22 de setembro e repetir a dose em 27 de outubro e em 8 de dezembro, quando a taxa fecharia o ano em 8,25% ano. A XP também reduziu hoje a projeção de crescimento do PIB em 2022 para 1,3% e espera Selic de 8,25%.

Para o Itaú, o recrudescimento da inflação, que tira o poder de compra dos consumidores e ainda obriga o Banco Central a desacelerar a economia, via aumento dos juros, terá suas consequências na redução do PIB. Em julho, o Itaú chegou a prever alta de 5,8% no Produto Interno Bruto deste ano e de 1,8% em 2022. Em agosto, reduziu para 5,7% este ano e para 1,5% em 2022.

Crescimento inferior ao da população

Agora, “após a divulgação do PIB do 2T21 e dados recentes”, o Depec Itaú reduziu de 5,7% para 5,3% a projeção de crescimento deste ano e derrubou a taxa do ano eleitoral de 2022 de 1,5% para apenas 0,5%.

Esta seria a menor taxa de crescimento do PIB desde a recessão de 3,3% de 2016. Considerando que a taxa de aumento da população está em 0,7% ao ano, o país teria perda de crescimento no PIB per capita (a relação entre o aumento do PIB e o aumento da população).

Dólar ainda em alta

Apesar da escalada dos juros implicar redução dos níveis do dólar (que estava hoje em R$ 5,23, o Itaú continua “projetando apreciação do câmbio em relação aos patamares atuais este ano, porém de forma menos intensa em razão das incertezas domésticas”.

O banco revisou a projeção para R$ 5,00 por dólar ao final de 2021 (ante R$ 4,75) e para R$ 5,20 por dólar ao final de 2022 (ante R$ 5,10).

O banco considera que “a vacinação tem avançado e deve permitir uma volta à normalidade econômica ainda neste ano”. Mas pondera que “o principal risco a considerar é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas”.

Incertezas fiscais

O Itaú está esperando “déficits primários de 1,4% do PIB em 2021 e 0,7% do PIB em 2022 e que a dívida bruta alcance 81,8% do PIB em 2021 e 83,3% em 2022, vindo de 88,8% em 2020 e 74,3% em 2019”.

Mas considera “que os riscos em torno da manutenção da disciplina fiscal estejam aumentando, seja pela renúncia de receitas prevista na proposta de mudança na tributação de renda e lucro [que também serão afetados pelo crescimento menor esperado para 2022], seja pelas maiores dificuldades de conciliar o cumprimento do teto de gastos com a aceleração da inflação, aumento inesperado do gasto com precatórios e pressões para aumento do Bolsa Família, que podem levar a maiores créditos extraordinários não sujeitos ao teto de gastos”.