Itaú prevê recuperação plena do PIB mundial só em 2023

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Credit...REUTERS/Pilar Olivares

O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú Unibanco, que há muito criou um núcleo só para acompanhar a evolução da Covid-19, diante da sua influência na economia, produziu hoje um balanço global sobre o avanço da vacinação no mundo e dos obstáculos que ainda limitam a recuperação da economia mundial aos níveis anteriores à pandemia. O estudo tem o título: “Quando as economias voltam para o nível e tendência do PIB pré-pandemia?”

O Itaú considera que, além da China, os Estados Unidos e as nações da zona do Euro, mais avançadas na vacinação, estão se recuperando mais forte e podendo reabrir a circulação de pessoas. Os países emergentes vão demorar mais a reagir. O Brasil está num ponto intermediário e depende do avanço da vacinação no 3º trimestre (julho a setembro) para consolidar a recuperação. O Itaú prevê que o Brasil só completará em 2021 a recuperação da economia a níveis anteriores à Covid-19.

As visões do Itaú
"A vacinação está permitindo o controle da pandemia; entre as grandes regiões, o controle ocorreu primeiro na China, depois nos EUA, posteriormente na Europa e agora deve avançar em mercados emergentes.

"Nos EUA, o pico da pandemia foi em janeiro/fevereiro. O contágio começou a recuar com 20% da população vacinada em fevereiro. Agora, com quase 50% da população vacinada (ao menos uma dose) o número de mortes por Covid está nas mínimas.

"A Europa segue a mesma dinâmica, com dois meses de diferença, e vê recuo consistente da pandemia desde abril, quando a vacinação atingiu pelo menos 20% da população. Na China, a vacinação acelerou somente nos últimos dois meses. Mas o controle da pandemia ocorreu com a eficácia das medidas de contenção do vírus (testagem em massa, rastreamento de contatos e isolamento) no 2º trimestre de 2020.

"Os demais países emergentes devem começar a ver benefícios de sua vacinação no 3º trimestre de 2021. Países como Brasil (26,2%) possuem um mix diverso de vacinas e estão no limiar dos níveis de vacinação que geraram melhora nos EUA e Europa.

"Outros países também devem começar a ter ganhos. A disponibilidade global de oferta de vacinas está subindo e, partir de agora, novas doses serão destinadas principalmente para países emergentes (aprox. 6,4 bilhões de doses no 2º semestre de 2021).

"Neste cenário, surge a pergunta: Quando as diferentes economias irão retomar o nível e a tendência de crescimento do PIB antes da pandemia?

Para o Itaú, "vale ressaltar que importa ver quando os países retomam não somente ao nível, mas também à tendência do PIB pré-pandemia (isto é, o nível do PIB se a economia tivesse continuado no ritmo de crescimento pré-pandemia). Esse último critério captura melhor a recuperação da economia, inclusive para avaliarmos se o choque do vírus deixou cicatrizes econômicas permanente".

Recuperação plena só em 2023

A recuperação completa do PIB (de volta à tendência pré-pandemia) irá acontecer em 2021 para a maioria dos países desenvolvidos, mas nos emergentes (excluindo a China), apenas em 2022 ou depois.

A velocidade da vacinação e o tamanho (e espaço) da resposta fiscal são as principais variáveis para explicar as disparidades da recuperação entre os países. Vírus já controlado nos EUA e Europa.

Vacinação nos emergentes vai continuar ganhando ritmo de crescimento pré-pandemia). Esse último critério captura melhor a recuperação da economia, inclusive para avaliarmos se o choque do vírus deixou cicatrizes econômicas permanentes.

Todos os países desenvolvidos devem recuperar o nível do PIB de 2019 em 2021, enquanto, para os emergentes, esse momento varia, podendo ser até a metade de 2022. Entre os desenvolvidos, Austrália e Nova Zelândia tiveram uma recuperação mais rápida, já tendo retornado ao nível pré-Covid no 1º trimestre deste ano, Estados Unidos e Noruega no 2º trimestre, enquanto Japão, Canadá e demais europeus devem atingi-lo somente no 2º semestre.

Já entre os emergentes, a retomada dos níveis anteriores à crise é bem mais heterogênea: enquanto China, Turquia e Índia já retornaram em 2020, temos outros tais como México, República Tcheca e África do Sul, que devem voltar somente no próximo ano. Para além do nível do PIB, os países desenvolvidos devem apresentar recuperação completa e retornar à tendência pré-pandemia entre o 3º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2022, mas emergentes podem levar até depois de 2023.

No Brasil, esperarmos que o PIB retorne à tendência pré-vírus em 2023 ou depois. Isso vale também para Colômbia e Chile, além dos países emergentes asiáticos cujas economias dependem muito do turismo. Por outro lado, os países emergentes da Europa (Polônia, República Tcheca e Hungria) voltam à tendência pré-pandemia em 2022, uma vez que acompanharam o ritmo de vacinação da Zona do Euro.

A severidade da pandemia (medida em termos de óbitos per capita) explica uma pequena parte da diferenciação entre países. Há casos de países que foram muito bem-sucedidos com as medidas de contenção do vírus, como a China e a Nova Zelândia, e tiveram uma recuperação rápida da atividade. Porém, a correlação é baixa. Há casos de países que sofreram no controle da pandemia, mas que apresentam forte recuperação, como os EUA. E de outro lado, países como Tailândia e Malásia que tiveram poucos óbitos, mas uma contração do PIB persistente.


As projeções do Itaú para as principais economias

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. (Foto: Reprodução)



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