ECONOMIA

Casablanca é Brasil: 'Taxem os suspeitos de sempre'

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Por GILBERTO MENEZES CÔRTES, [email protected]
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Publicado em 01/03/2021 às 20:48

Alterado em 01/03/2021 às 20:55

Guedes, o bravateiro Foto: Folhapress / Pedro Ladeira

Bastou circular a informação de que o Projeto de Lei 5376/20, que aumenta, de 20% para 23% e de 4,65% para 10%, respectivamente, as alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre instituições financeiras, que estava parado no Congresso e voltou a andar desde 3 de fevereiro de 2021, após a eleição de Arthur Lira PP-AL) como presidente da Câmara dos Deputados, para as ações de bancos despencarem na B3, ontem.

O mercado já estava praticamente fechado, às 16h30, quando os boatos ganharam força e mudaram, no “after market”, a direção das cotações dos principais papéis de bancos, que antes exibiam valorização média de 1%. Bradesco PN caiu 3% em 1 hora. Itaú PN baixou 2,50%. Santander Brasil PN desvalorizou 4,9% e Banco do Brasil ON, perdeu 3% de valor entre 16h30 e 17h32.

O governo foi buscar nos “suspeitos de sempre”, os bancos, as fontes de recursos para cobrir as perdas de arrecadação com a redução de impostos para combustíveis. É que os bancos, mesmo na pandemia, ainda exibiram balanços razoáveis. Houve queda, é certo de lucros, mas também redução das provisões para devedores duvidosos no 4º e último trimestre, que podem gerar ganhos agora.

A questão é que a inadimplência bancária está perigosamente camuflada pelas renegociações aprovadas durante a pandemia com a autorização do Banco Central para que os bancos diminuíssem as reservas para cobrir as operações de crédito com atraso superior a 60 e 90 dias.

Então, quando todos sabem que a economia piorou muito com a recessão e o desemprego, num passe de mágica a inadimplência caiu nos bancos. Isso ainda vai vir à tona.

A emergência dos combustíveis

A questão é que o governo precisa achar uma fonte de recursos fácil para compensar a perda de arrecadação com a zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel, para agradar à sua base de caminhoneiros. Também será zerado imposto federal sobre o gás de cozinha (GLP).

As reduções de impostos sobre o diesel e o GLP custarão R$ 3,6 bilhões em 2021, de acordo com cálculos da equipe econômica. Os bancos foram os coelhos que Paulo Guedes tirou da cartola na reunião de domingo com o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Pacheco.

Caminhoneiros atropelam Bolsonaro

O 4º e último aumento de 5% no diesel nas refinarias, que começa a valer hoje, levou Wallace Landim, o Chorão, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos automotores (Abrava), que representa os caminhoneiros a reagir contra “o quinto aumento de combustível em menos de três meses”.

Em carta ao presidente Bolsonaro se queixa de que “mais uma vez fomos surpreendidos com o quinto aumento de combustível anunciado pela Petrobras a partir de amanhã. Os novos percentuais a mais que a população brasileira irá pagar são: 4,8% para gasolina, 5% para o óleo diesel e 5,2% para o GLP, o gás de cozinha”. Chorão disse que o “quinto aumento consecutivo dos combustíveis na população brasileira é catastrófico, pois temos um efeito cascata em todos os produtos”

Agora, imaginem os trabalhadores do ramo dos transportes, caminhoneiros, transportadores escolares, motoristas de aplicativos, motoboys, que cada aumento significa suportar um custo que tira alimento da boca de sua família, assinalou o líder da categoria que pára o país quando faz greve.

Ele cobrou do presidente a promessa de zerar o Pis/Confins do óleo diesel a partir de 1º de março, perguntando “onde está este decreto? Mais uma vez temos promessas vazias e sem cumprimento pelo Governo Federal. Presidente, precisamos de ação e não de promessas!”, advertiu.

Em sua carta, Chorão sugeria que o governo cortasse parte dos R$ 5 bilhões em subsídios às multinacionais que produzem xarope de refrigerantes na Zona Franca de Manaus. Essa foi uma compensação utilizada pelo presidente Temer na greve de maio e junho de 2028.
Bolsonaro, que é adepto das tubaínas (feitas com o xarope de guaraná e de coca da CFM) preferiu ir contra "os suspeitos de sempre", os amaldiçoados banqueiros.