A esperada retomada de crescimento é ofuscada por tensões fiscais

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Ueslei Marcelino/Reuters
Credit...Ueslei Marcelino/Reuters

As perspectivas de uma tão esperada retomada do crescimento do Brasil nos próximos meses estão sendo ofuscadas por tensões fiscais, prejudicando as perspectivas de um país que luta com uma segunda onda da pandemia do coronavírus, mostrou uma pesquisa da agência Reuters.

A maior economia da América Latina se recuperou de uma recessão histórica em 2020 graças a uma enorme movimentação de gastos. Mas essa estratégia chegou a uma encruzilhada e a pressão está aumentando sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Os investidores temem que ele possa abandonar em breve as promessas de realinhar o orçamento para empurrar os gastos além de um “teto fiscal” autoimposto, buscando aliviar as dores de uma segunda onda de vírus brutal e da falta de vacinas.

Um senador brasileiro na vanguarda da corrida pela liderança da Câmara alta disse na semana passada que iria discutir a extensão de transferências emergenciais de dinheiro para milhões de pessoas mais pobres com outros legisladores e servidores.

“Como a eleição para presidente da Câmara dos Deputados / Senado vai acontecer em 1º de fevereiro, não seria uma surpresa se o barulho político aumentasse na próxima semana”, escreveram analistas do Citibank em relatório na sexta-feira.

“Em suma, essas declarações reforçam nossa antiga convicção de que o gasto público total vai superar o limite imposto pelo teto de 1% do PIB”. Os mercados brasileiros tomaram nota, registrando pesadas perdas na semana passada.

Qualquer escalada dos problemas financeiros domésticos do Brasil poderia atingir a recuperação econômica nascente, fazendo com que o crescimento ficasse abaixo do esperado aumento anual de 10% em abril-junho, de acordo com a estimativa média de 11 economistas ouvidos em 19-22 de janeiro.

“Uma violação do limite de gastos desencadearia uma crise de confiança, pois é muito improvável que a dívida bruta se estabilize nos próximos dez anos”, escreveram analistas do Credit Suisse em um relatório no início deste mês.

Uma amostra maior de 39 entrevistados previu que o PIB aumentaria 3,3% em 2021, ligeiramente abaixo de uma estimativa de 3,5% na última pesquisa trimestral, seguido por um crescimento ligeiramente mais rápido do que se pensava anteriormente em 2022, de 2,5%.

No México, outros 11 analistas viram um impulso maior do PIB no segundo trimestre do que no Brasil, a uma taxa anual de 14,8%, o que elevaria a economia do país em 3,5% em 2021 - a mesma previsão de outubro. (com agência Reuters)