Comércio entre Brasil e EUA atinge a pior marca dos últimos 11 anos

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Foto: AFP / Zacharias Abubeker
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O intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos atingiu total de US$ 45,6 bilhões (cerca de R$ 249,9 bilhões) queda de 23,8% em relação a 2019. É o pior resultado desde a crise financeira de 2009.

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter cumprimentado Joe Biden pela eleição nos EUA e mencionado a importância de uma relação "longa e sólida" com os Estados Unidos, o Monitor de Comércio Brasil-EUA apresentou dados nessa quinta-feira (21), divulgados pela AmCham, sobre o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Os efeitos negativos provocados pela pandemia de covid-19 e a queda do preço internacional do petróleo foram os fatores que mais contribuíram para a contração das trocas bilaterais no ano passado. Tanto as exportações quanto as importações sofreram grande impacto em 2020. O fluxo de comércio, que é a soma de exportações com importações, de US$ 45,6 bilhões (cerca de R$ 249,9 bilhões), caiu 23,8% em relação a 2019. Este foi o menor resultado deste a crise financeira de 2009.

As vendas brasileiras para os EUA, que somaram US$ 21,5 bilhões (cerca de R$ 115,3 bilhões), caíram 27,8% em um ano. Já as compras de produtos americanos, de US$ 24,1 bilhões (cerca de R$ 129,2 bilhões), tiveram uma queda de 19,8% ante 2019. O Brasil teve um déficit de US$ 2,6 bilhões (R$ 13,9 bilhões) com os Estados Unidos.

Segundo dados oficiais dos EUA até novembro de 2020, o Brasil foi o 17º principal parceiro comercial de bens do país, e teve a segunda maior queda nas relações com os norte-americanos (de 22,6%), atrás apenas da França (queda de 26,9%).

Futuro promissor?
Apesar dos números tímidos e retraídos, a AmCham diz esperar que 2021 seja um ano melhor que 2020 na relação Brasil-EUA. "O desempenho do comércio bilateral mostrou maior resiliência na crise atual que na anterior. Em 2009, as trocas bilaterais encolheram 55%, mais que o dobro de 2020. Além disso, o comércio já iniciou recuperação gradual, com desaceleração da contração nos últimos trimestres de 2020", diz a entidade.

Com o avanço da vacinação contra o coronavírus e a retomada mais forte das atividades econômicas nos EUA, a AmCham estima que as exportações brasileiras para os norte-americanos devem ser impulsionadas ao longo de 2021. As projeções de órgãos internacionais também apontam para um ano mais próspero para a economia. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia norte-americana deve crescer 3,1% neste ano. Para o comércio internacional, a OMC estima alta de 7,2% em 2021.

Outra mudança importante em vista é o câmbio. No ano passado, o real foi a moeda que mais se desvalorizou entre os países emergentes (-22,4%). A projeção do Banco Central é que a taxa média de câmbio seja em torno de R$ 5,00, mais apreciada do que a média de 2020 (R$ 5,15). (com agência Sputnik Brasil)