Crítica: 'Avenida Brasília Formosa'

Do diretor Gabriel Mascaro, Avenida Brasília Formosa retrata a história da comunidade construída depois que famílias moradoras das palafitas sobre o mar do local foram removidas. Com uma abordagem mais próxima do  documental é possível se ambientar naquela realidade.

Um dos quatro brasileiros representando o país no Festival de Roterdã, o documentário nos transporta para o dia-a-dia dos moradores da comunidade, até uma vida sem luxos. É a história do cinegrafista Fábio Gomes de Melo, da manicure Débora Leite, do menino Cauã e do pescador Pirambu, que - apesar de possuírem traços ficcionais - interpretam quase sempre a si mesmos.

As quatro realidades dos personagens principais se entrelaçam. Pirambu foi removido das palafitas onde hoje é a Avenida Brasília Formosa. Fábio, morador do local, é cinegrafista e filma o aniversário de Cauã, bem como o vídeo que Débora quer mandar para um reality show.

A espontaneidade dos 85 minutos de projeção são bem leves e beiram o cômico. A expectativa de conseguir um "passaporte" para um reality, as fofocas no "salão", etc.,  fazem com que o documental não se torne chato, mas realmente interessante. Além disso, imagens marcantes como a do ex-presidente Lula visitando o local no início de seu primeiro mandato, em 2002, são mostradas.

Sem frescuras, sem clichês, sem "forçação", vemos na tela e nas lentes de Fábio uma realidade bastante peculiar, que será fácil começar a conhecer. Para isso, o primeiro passo não será pegar o 018 para o local, mas esperar a sessão começar. 

Cotação: ** (Bom)