Modelo surda supera preconceitos do mundo da moda

Brenda Costa é modelo e trabalha por todo os países do mundo. Chama a atenção de todos por sua beleza mas, mais ainda por sua força de vontade para superar preconceitos e barreiras no mercado da moda internacional. Brenda é surda e considerada uma das mais belas profissionais da atualidade, depois de ouvir muito "não" de quem achava que ela não conseguiria responder às demandas dos fotógrafos.

"Todos me olhavam e diziam: nossa, você é linda! Mas como consegue trabalhar, saber o que o fotógrafo precisa? Na passarela, também duvidavam que eu pudesse andar no ritmo", lembra a modelo. A resposta profissional que ela dava a todos sempre foi muito simples: "sou normal, veja meu book e faça um teste".

Assim, aos poucos ela conseguiu superar os preconceitos em relação às pessoas com deficiência. Em sua rotina, pouca coisa difere da de uma profissional ouvinte. O despertador de Brenda vibra em baixo do travesseiro e ela está sempre munida do smartphone que a auxilia em diversas tarefas.

Ainda, a bela precisa estar sempre atenta ao fotógrafo nos estúdios para conseguir responder aos pedidos, mas isso é algo natural para uma pessoa ligado ao seu entorno, como ela mesma se define. "Tamanha atenção e empenho fazem com que eu desempenhe muito bem minhas funções, como qualquer modelo ouvinte", diz.

Como desde pequena Brenda conviveu com ouvintes, estudou em escolas regulares e teve acompanhamento de fonoaudióloga, pode ler lábios bem, ao ponto de muitas pessoas não perceberem. A modelo ri e acha graça quando não raro alguém pergunta porque sua voz é "diferente". "Ninguém acha que sou surda. Até eu esqueço e, às vezes me atropelo com as palavras, porque sou muito ansiosa e penso muito rápido".

Para ela, ainda falta incentivo para que pessoas com deficiência assumam mais diversos postos de trabalho e invistam nas mais variadas carreiras. "Temos que mostrar quem somos. Somos mais cobrados e precisamos provar que somos capazes", afirma a modelo. A lei de cotas, em sua avaliação, é um importante instrumento para inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho e, mais do que isso, diminuir o preconceito.

"As pessoas passam a conviver e aceitar as pessoas com deficiência", diz. Segundo ela, para acabar com o preconceito é preciso aumentar o número de oportunidades, algo que já está acontecendo. "Ter a cabeça fechada é muito feio. O mundo mudou e precisamos vencer mais esse desafio". Para contar sua história, Brenda lançou no Brasil o livro "Bela do silêncio", pela Editora Martins Fontes.