Congada resgata religião e história em interior paulista

São Paulo – Manifestação cultural afro-brasileira, a congada, como o caxambu ou jongo de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, continua viva em várias cidades brasileiras, a exemplo de Uberlândia e Machado, em Minas Gerais, e Atibaia, Mogi das Cruzes e Morungaba, em São Paulo.

Em Morungaba, estância climática paulista, a 103 quilômetros da capital, a congada local comemora neste mês o centenário da Igreja de São Benedito, santo que é um dos três temas de seu enredo. Os outros são Nossa Senhora do Rosário e a representação de Carlos Magno contra as invasões mouras.

O escritor e professor Aercio Flavio Consolin (autor de “Entreato Amoroso” e “Vozes do Coração”, entre outros livros) lembrou que, na abertura de uma exposição de fotografias sobre o centenário da igreja, que a congada local pontifica como uma expressão folclórica e cultural, especialmente na data de 13 de maio, que relembra a assinatura da Lei Áurea que decretou o fim da escravidão no Brasil.

“Enquanto vigário de Morungaba, o monsenhor Honório Henrique Nacke enriqueceu a festa com uma encenação que se repetiu por vários anos. Nessa encenação, um grupo de rapazes atirava com uma espingarda para o alto, visando derrubar mãos simbólicas de escravos colocadas na ponta de um mastro. Quem acertasse escolhia uma das damas do cortejo para representar a rainha. Erguia-se um trono no qual se assentavam rei e rainha, presidindo a apresentação da congada”.

Há registros fotográficos sobre o evento – uma dessas festas foi em 1952.

Para Aercio Flávio Consolin, a exposição de fotografias que se realiza no Casarão Amalfi (1908) transcende até a ideia inicial que a motivou – comemorar o centenário da Igreja de São Benedito. “Temos hoje, aqui neste centro cultural, uma homenagem ao passado de Morungaba, pelo vértice religioso da festa de São Benedito, e histórico, pela liberdade dos escravos”.