Jabor diz que seu filme quer resgatar a "coisa humana"

Cinema lotado, anônimos e famosos saindo pelo ladrão e uma certa euforia mais comum em shows de MPB, quando entre uma música e outra alguém grita lá do fundo qualquer adjetivo mais entusiasmado em direção ao dono do holofote. E o dono de todos os holofotes na noite de abertura da 12ª edição do Festival do Rio foi Arnaldo Jabor. Afinal de contas, trata-se do tão falado retorno dele à direção de um filme, ofício com o qual ele projetou sua carreira, particularmente nos anos 1970 e 1980, bem antes de se tornar comentarista em jornais, TVs, rádios e, mais recentemente, no Twitter.

Ao lado de boa parte do elenco do filme, entre eles Marco Nanini, Dan Stulbach, Elke Maravilha e Jayme Matarazzo, o novamente cineasta agradeceu a todos os membros da equipe e, sobre o palco do Cinema Odeon, falou brevemente sobre a origem de A Suprema Felicidade, título que chega às salas comerciais no dia 29 de outubro com a história de descobrimentos familiares, amorosos e sexuais de um rapaz chamado Paulo, mas que bem poderia olhar pra trás caso você o chamasse de Arnaldo.

Citando a intensidade de informações nos meios dos quais ele é peça do tabuleiro, Jabor disse que uma das motivações para que surgisse a ideia do longa foi justamente uma reflexão sobre o excesso de notícias as quais as pessoas são hoje submetidas. "Surgiu do desejo de um pouco de paz que, nesse mundo contemporâneo, a gente sente tão difusamente". Sem temer pelo clichê da mensagem, o diretor sintetizou: "Fiz esse filme pensando em resgatar um pouco a coisa humana da gente".