Pablo Milanés emociona Maria Rita e público no Telefônica Sonidos

Maria Rita e Pablo Milanés cantaram duas vezes a clássica "Yolanda"

SÃO PAULO - Uma bela noite de lua cheia brindou o público que foi ao Jockey Club de São Paulo nesta quarta-feira assistir à segunda noite do festival Telefonica Sonidos. A atração principal era a lenda da canção cubana Pablo Milanés, que aos 67 anos esbanjou o vozeirão interpretando clássicos da chamada "Nueva Trova Cubana", movimento surgido nos anos 60 e que guarda paralelos com a MPB brasileira da época, de Chico Buarque e Milton Nascimento. A convidada era a brasileira Maria Rita e seu samba. Milanés e sua experiente banda subiram ao palco montado nas arquibancadas do Jockey Club por volta das 21h25, e o cubano disse estar feliz por "estar de volta ao Brasil e poder cantar com essa maravilhosa mulher que é Maria Rita". O cubano começou cantando músicas representativas de sua carreira, como Nostalgias, e faixas mais recentes, como Dias de Gloria, bem lentas e românticas. En Saco Rojo trouxe uma pegada maior da música folclórica cubana. Com o passar do tempo e mais à vontade, Milanés começou a animar o público com músicas mais próximas dos ritmos dançantes cubanos, como a rumba. Em Soñando, se percebe um certo paralelo com os trovadores brasileiros, como Roberto Carlos, às vezes pelas orquestrações um tanto conservadoras das músicas. Mas a banda mostrou seu conhecimentos das raízes cubanas com percussões típicas e até uma referência à religiosidade africana, remetendo tanto ao candomblé brasileiro quanto à santeria cubana. O cantor anunciou a faixa Diários de Maurício dizendo que ela foi trilha sonora de um filme que fez muito sucesso em Cuba, e o público acompanhou o ritmo "caliente" batendo palmas. Em seguida, cantou sua versão para Canción, letra do poeta nacional cubano José Martí. Com o público ganho, ele chamou Maria Rita para o palco, dizendo que acompanha a carreira da brasileira, que foi muito aplaudida. Eles cantaram Meu Samba, bela representante das raízes brasileiras, e Tristessa. Mas a terceira música, a clássica Yolanda, foi o momento mais emocionante da noite. Maria Rita estava visivelmente nervosa ao estar ao lado da lenda cubana, mas mostrou todo seu talento vocal jogando no terreno familiar do samba e acompanhando a voz inconfundível de Milanés. Yolanda gerou o primeiro aplauso de pé do show. A brasileira saiu do palco e o cubano cantou mais três músicas antes de se despedir do público. E, se no começo do show o público estava dividido entre quem prestava atenção e alguns que pareciam mais interessados em conversar nos bares, neste momento todos estavam fisgados pela emoção transmitida pelas canções de Milanés, que foi devidamente ovacionado e "obrigado" a voltar ao palco. Bastou Maria Rita aparecer na porta do camarim para também ser festejada pelo público. E tiveram que cantar novamente Yolanda, e foram acompanhados em uníssono pela plateia. No balanço, a convidada Maria Rita soube se manter discreta e deixar o lendário anfitrião cubano brilhar e receber mais uma vez o carinho do público brasileiro. O Telefônica Sonidos promete mais encontros emocionantes até o próximo sábado (25). Nesta quinta (23) o argentino Pedro Aznar chama Maria Gadú, na sexta é a vez da Banda Mantiqueira convidar Gonzalo Rubacalba, e no sábado Yamandu Costa divide o palco Jazz Latin com Alfredo Rodriguez. No fim de semana, haverá também o palco Urban Pop, com atrações mais jovens, como os brasileiros Nando Reis e Ana Cañas, convidados de Fito Paez, e o Capital Inicial, que toca com o El Canto del Loco na sexta-feira. No sábado o hip hop e o reggaeton se encontram com o Carnaval brasileiro em shows do Calle 13 e Monobloco e do rapper Pitbull.