Selton Mello vive um médico paranormal em 'A cura'

Paulo Ricardo Moreira, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Selton Mello teve dificuldades para dormir à noite durante as gravações de A cura, novo seriado da Globo que estreia nesta terça-feira. Apesar de se dizer cético, o ator revela ter sentido uma energia pesada. E não era para menos, porque a história escrita por João Emanuel Carneiro é bem carregada. Na trama, Selton vive um cirurgião com poderes paranormais, Dimas, que volta à sua terra natal, onde é acusado de ter matado um amigo de infância.

A história em si é muito cheia de carga comenta o ator. O seriado ainda nem foi ao ar e as pessoas comentam comigo sobre experiências de cura espirituais e coisas do tipo. Sou mais cético, mas tenho curiosidade pelo tema. Acredito que tem coisas que a gente não enxerga, mas que ficam no ar. Sou um pouco ligado ao Candomblé. Minha mãe rezava para São Longuinho. Isso é bem brasileiro.

Curandeiro ou charlatão e assassino? A dúvida sobre o caráter do protagonista acompanha os nove episódios do seriado, que faz alusões ao espiritismo e a vidas passadas. Dimas consegue realizar curas espirituais, solucionando casos considerados impossíveis pela ciência, mas logo depois seus pacientes aparecem mortos.

É um desafio fazer um personagem dúbio como ele, deixando o público o tempo inteiro se questionando sobre sua índole admite Selton.

A trama, carregada de suspense, se passa nos dias de hoje, em Diamantina, Minas Gerais, onde o elenco gravou durante 20 dias. Formado em medicina em São Paulo, Dimas volta à casa de sua mãe, Margarida (Nívea Maria), no interior de Minas, disposto a enfrentar seu passado. No hospital da cidade, onde começa a trabalhar, ele descobre seu dom de curar doentes graves e passa a ser chamado de santo. Mas os médicos e o povo questionam suas curas quando os pacientes começam a morrer.

A explicação para o mistério de Dimas está em seu antepassado, Silvério (Carmo Dalla Vecchia), que chegou a Diamantina no século 18 atrás de ouro. Em cenas que remetem ao passado, o seriado mostra como o personagem enriqueceu de forma violenta e cruel, maltratando escravos, e sofreu de dores terríveis até conhecer o menino Ezequiel (Dyjhan Henrique), tido como um curandeiro.

Aos poucos, as histórias vão se 'explicando'. É uma espécie de trajetória cármica, um ajuste de contas através dos séculos explica João Emanuel Carneiro.

O elenco conta ainda com Andréia Horta, que vive a médica Rosângela, noiva do doutor Luiz Camilo (Caco Ciocler). Ela se apaixona por Dimas. Ary Fontoura faz o doutor Turíbio, diretor do hospital; e Juca de Oliveira interpreta o enigmático médico Otto, considerado santo por uns e criminoso por outros.