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Produção de curtas cresce e busca espaço fora do circuito convencional

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Isabel Ramalho, JB Online

RIO - Câmeras nas mãos são cada vez mais comuns em tempos digitais, quando até celular faz vídeos. E se idéias nas cabeças também não costumam faltar, o resultado não podia ser diferente: uma produção crescente de vídeos de curta-metragem que lotam festivais, cineclubes e sites de exibição na internet.

O grande número de filmes produzidos neste formato leva a um questionamento: está na hora dos curtas-metragens voltarem às telonas? Uma lei que permaneceu em vigor até a era Collor obrigava as salas de cinema comerciais a exibirem curtas brasileiros antes de longas estrangeiros.

Guilherme Whitaker, vice-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD), concorda que é preciso existir mecanismos para viabilizar a exibição de curtas em cinemas, mas em moldes mais modernos que a lei:

- Produtores e distribuidores não podem ser abrigados a exibir os filmes sem receber algo em troca explica Guilherme.

Para o produtor e diretor, Cavi Borges, obrigar o público a assistir aos curtas também poderia ser um retrocesso.

- É impossível e até ultrapassado tentar pegar uma lei que foi da década de 70. O que é preciso é aumentar os eventos para familiarizar as pessoas a esse tipo de formato. Internet, cineclubes e televisão podem ser os futuros cinemas dos curtas -, afirma Cavi, lembrando que praticamente 90% da população nunca assistiu a um curta.

Ainda segundo o produtor, o avanço da tecnologia digital facilitou tanto a produção quanto a distribuição dos vídeos.

- É muito fácil fazer e é muito fácil exibir. Hoje em dia não existe mais aquela ditadura da película, tem cineclube que projeta em tela do barco, em parede de bar. Onde tem gente a fim de assistir, tem um curta passando -, diz Cavi. Guilherme Whitaker ainda vai mais longe:

- O futuro audiovisual está nos curtas e não nos longas afirma o vice-presidente da ABD.

Com até trinta minutos de duração, os filmes de ficção ou documentário costumam agradar aos mais diversos públicos: do cinéfilo que tem carteirinha do cineclube ao internauta que visita sites de exibição.

Cavi Borges acredita que o formato de curta-metragem é ideal para as TVs abertas, que deveriam incluir os filmes em sua programação.

- Quando dou aula em periferia, as pessoas que não conhecem curtas acabam adorando. O filme é rápido e passa a mensagem rapidamente. É fácil de gostar e, se você não gostar, também termina rápido conta o produtor.

Festivais de cinema de todo o Brasil apostam em uma programação baseada principalmente em curtas-metragens. Guilherme Whitaker, que garante que o futuro do audiovisual está nos curtas, afirma que o crescimento do número de festivais, principalmente no interior do Brasil, mostra que este gênero é muito importante também para a formação de platéia para o cinema nacional.

- Enquanto a produção e a exibição de longas é difícil e cara, a produção/difusão de curtas é bem mais fácil e barata explica Guilherme.

Só no Estado do Rio, em um ano, pelo menos três novos festivais entraram no circuito oficial. Cabo-Frio, Três Rios e Agulhas Negras organizaram competições de curtas-metragens.

Eventos paralelos, fora do circuito de cinema oficial, aproveitam espaços culturais para promover exibições de filmes e vídeos de curta-metragem. Segundo o produtor Cavi Borges, na Inglaterra já existem muitos eventos sem curadoria, onde qualquer pessoa pode exibir sua obra.

- Eventos assim estimulam produtores a exibirem seus filmes para uma platéia democrática, aberta a novidades. Mas, em um ambiente assim, os cineastas devem estar preparados para as reações manifestadas pelo público durante as sessões conta Cavi.

Confira os próximos eventos e festivais:

Curta Cabo frio 05 a15 de junho

Festival de Cinema Agulhas Negras Julho

Vide Vídeo (UFRJ) - 9 a 17 de maio

Iguacine (Nova Iguaçu)- de 6 a 17 de junho

Festival Brasileiro de Cinema Universitário (Rio) 31 de julho a 10 de agosto

Festival Curta Três Rios agosto, 2008

Noite de Lançamento - Espírito das Artes - Cobal do Humaitá - Segunda-feira. 14 de Abril - 20h - Exibição dos novos curtas produzidos pela Cavídeo (Engano, O amolador, Favela 20x3 e Vidigal); Exibição dos Trailler dos novos Longas: L.A.P.A, O Preterito Perfeito (filme da Casa Rosa) e IPPON - Caminhos de um campeão.

Tela Aberta Cine Lapa - Av. Mem de Sá, 23, Lapa - Domingo. 20 de abril 19h Mostra de filmes de no máximo 15 minutos. Cada produtor pode apresentar a sua obra na hora do evento e o filme será exibido por ordem de chegada, sem passar por qualquer curadoria.