Leandro Souto Maior, JB Online
RIO - Os principais dados biográficos de Bob Dylan estão todos aí Vieram à tona com a vinda do músico ao Brasil, para shows em São Paulo (dias 5 e 6) e no Rio (dia 8, sábado). Nesta semana, não é preciso procurar muito para saber que Dylan nasceu no dia 24 de maio de 1941, no estado americano de Minnesota, gravou seu primeiro disco em 1961, foi incluído no Hall da Fama do Rock n' Roll em 1988, que Cate Blanchett e mais cinco atores fazem seu papel no cinema e outras informações como essas.
Na verdade, sua biografia já foi mais que contada por aí, por tantos e até por ele próprio, mais de uma vez (em livro autobiográfico ou em longa metragem de Scorsese), freqüentemente com informações contraditórias, deixando lacunas, dúvidas. Nada sobre Bob Dylan (que na verdade se chama Robert Allen Zimmerman) deve ser levado muito a sério, é o que dizem. Em sua vida cheia de mitos, lendas e acontecimentos históricos, alguns fatos dentre os tantos relacionados à sua vida merecem destaque, como ter mudado a música dos Beatles (inclusive sendo apontado 'o cara que apresentou a maconha para o grupo inglês'), a vaia que levou em 1965 no Festival de Newport e o acidente de moto que o tirou de circulação por mais de um ano em 1966.
A relevância de qualquer fato de sua vida dá a dimensão do tamanho do mito. Sua força reside, principalmente, nas palavras, nas letras de suas música, em seu discurso, e assim, encantou os que entendem a língua inglesa, que decifravam e viajaram e sonharam através do que tratavam suas músicas e do jeito que escolhia as palavras para contar as histórias. De fato, a compreensão da totalidade de sua obra fica limitada pelos que não falam inglês. Mesmo assim ele encantou fãs em todas as partes do mundo, como estamos vendo aqui no Brasil com sua vinda agora. Seu ritmo, sua música, sua voz particular, sua gaita, sua marca, tudo isso transcendeu as palavras e se fizeram entender. Detratores costumam dizer que Dylan não canta bem (já ouviu falarem o mesmo de Chico Buarque?), que toca gaita mal e que suas músicas são chatas. Ele criou seu som particular, com muita personalidade, quase falado (tem até um 'quê' de rap no jeito de cantar, meio falado, privilegiando o entendimento). Não perceber seu talento deve passar apenas pela pura questão de gosto.
E que não esperem de Bob Dylan em seu show que toque os grandes clássicos da maneira exata como foram gravados. Ele costuma subverter a música e a ordem, e se divertir percebendo seus fãs tentando reconhecer que música é a que está tocando. Mas essa é apenas mais uma lenda sobre Bob Dylan. O que é certo é que sua música sempre se renovou, nunca se acomodou, sempre surpreendeu, até hoje, 47 anos depois de ter lançado seu primeiro disco. Essa capacidade de se manter relevante é o que está tão ausente está da produção musical de um bom tempo pra cá. O que se vê, em geral, são artistas lançarem um ou dois bons álbuns, depois ou sumirem ou lançarem o mesmo disco novamente, a mesma fórmula. Por isso é que Bob Dylan é Bob Dylan. Ele foi o mais influente artista dos anos 60, ídolo dos Beatles, e a repercussão de sua música ainda é sentida hoje em dia.